
O consumo digital no Brasil ganhou uma nova camada de comportamento nesta Black Friday: o social commerce. O formato, que combina compra, interação e entretenimento em tempo real, deixou de ser apenas uma promessa e começa a se consolidar como frente estratégica para as marcas. É o que revela a nova pesquisa da BARE International, que analisou a relação dos consumidores com compras via redes sociais e transmissões ao vivo.
Mesmo sendo um canal ainda em evolução, o número chama atenção: quase 40% dos consumidores já compraram via social commerce. O Instagram lidera com folga, responsável por 47% das compras, seguido de TikTok (16%) e Facebook (14%). Moda, acessórios, beleza e cuidados pessoais seguem como as categorias mais compradas — impulsionadas pelo apelo visual e pela influência estética, elementos nativos das plataformas.
De olho no preço
Mas não se trata apenas de estética: o fator financeiro é o maior motor de conversão. Segundo o levantamento, 29% dos consumidores são atraídos por preços mais baixos e 25% por promoções exclusivas ou brindes. Ao mesmo tempo, o formato ainda enfrenta desafios importantes: incertezas sobre entrega (22%), desconfiança no vendedor (19%) e informações incompletas (11%) travam a expansão mais acelerada do canal.

Pedro Venturini, Country Manager da BARE International
Para Pedro Venturini, Country Manager da BARE International, o social commerce aponta para uma mudança mais profunda da jornada digital. “O social commerce transforma o ato de comprar em uma experiência social e interativa, ao conectar marcas e consumidores de maneira mais direta e autêntica”, afirma.
A Black Friday de 2025 reforça também outro movimento: o consumidor brasileiro está mais racional e seletivo. Mais da metade (53%) só efetiva compras após confirmar que o desconto é real e 46% afirmam manter seu padrão habitual de consumo. O preço ainda lidera como fator decisivo (39%), mas práticas de consumo consciente (22%) e confiança na marca (20,5%) ganham relevância.
A confiança, aliás, segue determinante quando o assunto é canal: 68% das transações devem acontecer online, concentradas em marketplaces e e-commerces oficiais de marcas que oferecem segurança, políticas claras e variedade, com destaque para Magalu, Mercado Livre, Amazon, Shopee e Casas Bahia. As lojas físicas, com 25% das preferências, seguem fortes entre quem prioriza experiência e imediatismo.
O tíquete médio também cresce: 57% planejam gastar acima de R$ 500 e 84% devem ultrapassar R$ 200. Para Venturini, esse comportamento indica um consumidor mais preparado e estratégico.
“O brasileiro está reservando orçamento e planejando compras de maior valor. Ele quer boas ofertas, mas também transparência e relacionamento de longo prazo com as marcas”, completa.
O estudo da BARE International confirma um cenário em transformação: um consumidor cada vez mais conectado, crítico e participativo, aberto a novas experiências. Isto é, desde que marcas entreguem confiança, clareza e coerência. E, nesse caminho, o social commerce deixa de ser tendência para se tornar peça central da estratégia digital.
