Fabiano Santos é coordenador do Grupo Prerrogativas
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Fabiano Santos é coordenador do Grupo Prerrogativas

Na tentativa quase desesperada de criar uma alternativa eleitoral – a tal “terceira via” – a mídia e parte da elite econômica e financeira têm apostado na candidatura de Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Ocorre que, faltando cinco meses para o início da campanha eleitoral, o nome de Moro não ganha popularidade. Ao contrário, pesquisas recentes mostram aumento na rejeição ao ex-ministro, o candidato de uma nota só.

Sem nenhum projeto de país, Sérgio Moro aposta no discurso anticorrupção para impulsionar sua candidatura. Esse discurso pode até ser aderente às classes mais abastadas, mas não alcança a maioria da população, que sofre com a inflação, com o desemprego, com a fome e com a falta de moradia. Para os problemas reais do povo, ele não apresenta solução, pois não tem uma agenda para o Brasil.

Chega a ser constrangedor assistir às entrevistas do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro. As respostas sobre programa de governo para as áreas econômica e social são sempre evasivas, genéricas, o que o torna o conselheiro Acácio do processo eleitoral.

Resultado da falta de traquejo e de projeto do ex-juiz ou ex-ministro do Bolsonaro, a alta rejeição do eleitorado à sua candidatura acendeu o sinal vermelho entre seus apoiadores e seu próprio partido, que tenta jogar a “batata quente” para outra agremiação.

Outro sinal visível da sonolência de sua campanha é a falta de engajamento de lideranças regionais para recebê-lo nas viagens que tem feito pelo país. Os encontros reúnem 10, 15 pessoas. Aliado à falta de projeto há, ainda, o desconhecimento do pré-candidato sobre o país: Moro sequer sabe onde fica o agreste! Não tem carisma, nem traquejo para lidar com o povo e com os meandros da política.

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Mas, o mais grave é que Sérgio Moro, que só fala em corrupção, tem um passivo enorme e isso pesa sobre sua difícil candidatura: foi declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Isso é seríssimo, já sabemos o que eles fizeram no verão passado, desvirtuando o sistema de Justiça, prendendo e condenando pessoas com finalidade exclusivamente eleitoral. Se não conseguiu sequer desempenhar com zelo e ética suas nobres funções na magistratura, o que esperar em um cargo eletivo?

A Operação Lava-Jato, que ele afirmou em entrevista recente ter “comandado”, poderia ter sido positiva para o país caso os atores envolvidos tivessem cumprido seus papéis corretamente e se os acusados tivessem tido seus direitos respeitados.

O que se viu, contudo, foi a corrupção do sistema, com magistrado e procuradores extrapolando suas atribuições, destruindo reputações, quebrando empresas, prejudicando a economia e o desenvolvimento do país em nome de projetos políticos pessoais. Este pode ser um fardo muito pesado para o partido de Moro carregar.

O ex-ministro Todo Poderoso está em uma situação desconfortável e procura de todas as formas firmar sua candidatura. Mas isso não se cria do dia para noite, Sérgio precisa de uma boa imersão de povo para conhecer a realidade do país e sair de sua bolha persecutória.

*Fabiano Silva dos Santos é advogado, professor universitário e coordenador do Grupo Prerrogativas

** Fabiano Silva dos Santos é advogado e professor universitário, mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui MBA Executivo em Gestão Estratégica de Empresas pela Faculdades de Campinas (Facamp) e é um dos coordenadores do Grupo Prerrogativas – Prerrô.

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