Antonio Minhoto

Esquerda e Direita no Brasil (3)

Direita e esquerda no Brasil: modo de usar

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Foto: Arquivo
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Sobre as mudanças ideológicas, parece que aquelas concepções mais ligadas à direita souberam enxergar as mudanças sociais e adaptaram-se melhor ao novo panorama desenhado. A esquerda, a seu turno, manteve um discurso mais tradicional por um lado e procurou dar uma guinada comportamental por outro.

Observando as pautas, os temas mais caros aos dois campos ideológicos, a esquerda manteve a sua tradicional crítica ao capitalismo e à exploração do trabalho humano pelos detentores dos meios de produção, na clássica definição de Karl Marx. A isso, porém, foi acrescida, com bastante veemência, a pauta das minorias identitárias, de modo especial negros, mulheres e comunidade LGBT.

A direita adaptou-se ao novos tempos, de modo especial com relação ao mundo do trabalho. Os trabalhadores autônomos envolvidos com as novas tecnologias, como motoristas de aplicativo, influencers e um amplo leque de micro empreendedores, parecem, de fato, ter sido melhor compreendidos pela direita.

Nada porém é estático e sedimentado. Há gays, mulheres e negros de direita, assim como há empresários e empreendedores de esquerda. Essa gradação social é um dado novo para o universo político e um elemento que traz uma dificuldade extra para os discursos ou para a retórica político-ideológica.

A visão, típica da esquerda, de uma minoria, ou de minorias, sendo continuamente ultrajadas e desrespeitadas em seus direitos, não encontrou o eco total esperado junto a esses grupos que, como já dito, se viu de algum modo representado junto à direita.

Esse aparente paradoxo pode ser explicado pela maior valorização do indivíduo pela direita. A ideia de autonomia, independência e até de meritocracia, atrai, portanto, até mesmo essa minorias, e inclusive também os mais pobres.

Os dogmas de esquerda não deixaram de atrair, especialmente os mais jovens. A ideia de revolução e de uma mudança social mais profunda, seguem sendo máximas fortes. Mas a conformação do indivíduo e de seu interrelacionamento com os outros, a dinâmica social, mudou.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG