'Se o Brasil não atrapalhar, já será um sucesso', diz porta-voz de coalizão sobre a COP26
O Antagonista
'Se o Brasil não atrapalhar, já será um sucesso', diz porta-voz de coalizão sobre a COP26

O Brasil deverá apresentar na 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP26 , em Glasgow, a meta de reduzir em 43% as emissões de carbono até 2030. Para a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne mais de 300 entidades do agronegócio, empresas e organizações civis, a meta deveria ser de 50% , seguindo a recomendação feita pelos cientistas para todos os países.

A advogada Rachel Biderman, porta-voz da Coalizão, acredita que a chance de o Brasil chegar com uma meta mais ambiciosa na COP26 é pequena, apesar da intensa pressão internacional. A expectativa maior é de que o país, ao menos, não atrapalhe as outras negociações em curso, como a que estabelece as regras para um mercado global de carbono. Biderman falou a Crusoé :

Como o governo brasileiro tem respondido aos pedidos feitos pelas empresas, ONGs e sociedade civil sobre a participação na COP26?
Temos feito essas manifestações um pouco à distância. Ao contrário de outros países, como os Estados Unidos e os europeus, nosso governo não tem consultado a sociedade para formular as posições na COP. O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que era um espaço para consultar a sociedade, perdeu totalmente a sua importância. Com isso, mesmo com outros grupos da sociedade se manifestando, não temos ouvido nenhuma resposta oficial. Não há interação, infelizmente.

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Como a sra. acha que deve ser a atuação do governo brasileiro na COP26?
Certamente, o governo brasileiro será muito assediado em Glasgow pela imprensa, por movimentos sociais e por negociadores de outros países. O Brasil é uma das nações mais importantes para que as negociações tenham algum sucesso. Somos o sexto maior emissor de gases de efeito estufa. Não dá para o mundo resolver a questão do clima sem o Brasil.

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A sra. acredita que o Brasil apresentará uma meta mais ambiciosa sobre a redução dos gases de feito estufa?
Como ativista, sempre tenho esperança. Sou otimista. Mas isso parece muito difícil. Além da questão da meta, não há um plano definido sobre como cortar as emissões ou quais são os recursos financeiros para isso. Não temos nem clareza sobre quais setores serão envolvidos. Fica tudo no ar. É como se alguém prometesse que vai parar de fumar, sem falar quando ou como fará isso. Não há nada de concreto para garantir que a meta poderá ser alcançada.

Alguma outra negociação poderia avançar em Glasgow?
O Ministério das Relações Exteriores e o do Meio Ambiente têm enviado alguns sinais de que o Brasil não quer ficar totalmente fora do jogo. Então, na última hora, poderemos receber algum sinal positivo. Seria um milagre se o governo aparecesse com uma meta de emissões mais ambiciosa. Então, acho que um avanço poderia ocorrer em outra área. O que espero é que o Brasil não obstrua outras conversas. Uma das coisas que serão negociadas é o artigo 6 do Acordo de Paris, que trata das regras para um mercado global de carbono. Caso ele seja estabelecido, será um ganho. Empresas brasileiras poderiam ser recompensadas ao reduzir emissões. Se o Brasil não atrapalhar, já será um sucesso.


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