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A repressão em Cuba e o papel das redes sociais nos protestos
O Antagonista
A repressão em Cuba e o papel das redes sociais nos protestos

Neste domingo, 11, milhares de cubanos  protestaram nas ruas pedindo o fim da ditadura . Em uma entrevista para a rede de televisão Telesur , o ditador Miguel Díaz Canel comandou a repressão. “ Estamos dispostos a dar a vida. Eles terão de passar por cima dos nossos cadáveres se querem enfrentar a revolução. Estamos dispostos a tudo “, disse Díaz-Canel. “ Haverá uma resposta revolucionária. Por isso, convocamos todos os comunistas revolucionários para sair às ruas onde vão acontecer essas provocações e enfrentá-las com determinação .”

Em dezenas de cidades, policiais à paisana prenderam centenas de pessoas , que foram levadas em carros e vans (foto). “ O que os cubanos entenderam com a frase de Díaz-Canel é que ele está convocando seus comandados para uma guerra civil. Eles estão dispostos a massacrar a população e botar a culpa nos supostos revolucionários, desviando a atenção das ações do estado “, diz o diretor do Observatório Cubano de Conflitos, Juan Antonio Blanco, que mora em Miami.

Outro expediente usado para conter a revolta nas ruas foi o bloqueio da internet. Por causa disso, há pouca informação sobre o que ocorreu na ilha comunista na noite deste domingo. Diversos jornalistas independentes e defensores dos direitos humanos estão incomunicáveis. A única maneira de falar com eles desde ontem tem sido pelo telefone, mas vários números foram bloqueados. Alguns cubanos falam que ocorreu panelaço, mas não há registros para confirmar . Organizações civis de cubanos no exterior falam que a repressão deixou oito mortos, o que também não pode ser averiguado.

Os protestos de ontem não foram organizados de uma maneira centralizada. Eles aconteceram porque os cubanos começaram a publicar fotos e vídeos em diversos lugares, o que foi gerando outras demonstrações “, diz Blanco. “ Sem internet, será mais difícil que os protestos se espalhem como rastilho de pólvora. Mas o governo não pode suspender a internet indefinidamente, porque precisa da rede para seu funcionamento. Quando o serviço voltar a funcionar, os cubanos publicarão milhares de outros vídeos, o que deve gerar mais revolta .”

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A censura torna impossível saber como os protestos irão evoluir. Desafiando a repressão, pequenas manifestações já começaram nesta segunda, 12, no bairro de Regla, em Havana, e na cidade de Holguín.

Alguns ativistas estão tentando organizar uma greve geral, pedindo para que as pessoas não saiam para trabalhar. Em resposta, a ditadura está ameaçando demitir quem não aparecer no escritório . Quem comparece está sendo convocado para participar de manifestações a favor do regime, que podem acontecer nesta segunda, 12.

Não há como prever o que vai ocorrer nas próximas 24 horas. Mas esse é um movimento espontâneo que já estava crescendo, e voltará a ganhar intensidade em algum momento “, diz Blanco. “ A internet permitiu o acesso à informação, o que quebrou o discurso ideológico do governo. O regime não tem garantir o bem-estar da população, e sequer entrou no consórcio Covax para receber vacinas com eficácia comprovada. Além disso, os protestos mostraram que as pessoas perderam o medo da repressão. Como não há a perspectiva de que essas condições mudem, é de se esperar que teremos mais manifestações por liberdade pela frente .”

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