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Por que a Venezuela não recebeu vacinas do consórcio Covax
O Antagonista
Por que a Venezuela não recebeu vacinas do consórcio Covax

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro (foto), criticou neste domingo, 4, o consórcio Covax , criado para permitir que países pobres e em desenvolvimento consigam vacinas contra a Covid.

“O sistema Covax falhou com o povo da Venezuela! Há dois meses fizemos o pagamento integral do dinheiro e não nos deram uma resposta. Eu orientei a vice-presidente Delcy Rodríguez para exigir que o Covax envie as vacinas ou nos devolva o dinheiro. Chega de provocação!“, escreveu Maduro no Twitter.

A primeira razão que explica por que a Venezuela ainda não recebeu vacinas do consórcio é que a ditadura recusou o primeiro lote ao saber que se tratava de vacinas da AstraZeneca . Em março, a vice Delcy anunciou que o país só receberia doses de laboratórios aprovados pelo país. Ela justificou a decisão alegando que a Venezuela possuía “laudos técnicos” sobre a AstraZeneca.

A segunda explicação é financeira. No Covax, países pobres recebem gratuitamente as doses. É esse o caso de Haiti, Honduras e El Salvador. A Venezuela não entrou nesse grupo porque não atualiza seus dados macroeconômicos desde 2014. Sem enviar informações nos anos recentes, continua sendo considerada um país com recursos. Então, para receber vacinas, a Venezuela precisa pagar.

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O governo fez um primeiro pagamento a partir de contas estatais. A segunda parte, contudo, foi realizada por outra via, a partir de cinco contas privadas. “Isso acionou um alerta nos bancos que receberam o valor. O governo podia ter repetido o mesmo meio da primeira parcela, mas decidiu fazer de outra maneira. É algo que demonstra o alto grau de informalidade desse governo“, diz o cientista político Luis Francisco Cabezas, diretor-geral da ONG Convite, que cuida dos direitos sociais dos venezuelanos.

Sem o consórcio Covax e com um sistema nada transparente, a vacinação na Venezuela está a passos lentos. O país recebeu principalmente vacinas da chinesa Sinopharm e a russa Sputnik V. Mais de 3,2 milhões de doses foram recebidas, mas não há evidências sobre o paradeiro de 1 milhão delas. Segundo organizações de direitos civis, menos de 5% da população foi imunizada.

A Venezuela também importou doses das candidatas a vacinas Soberana 02 e Abdala, de Cuba . Segundo um comunicado da empresa BioCubaFarma, cerca de 10 mil venezuelanos receberam doses da Abdala em um estudo clínico. “Essas doses, porém, são apenas de candidatas a vacinas, porque ainda não tiveram a eficácia comprovada. Isso quer dizer que milhares de venezuelanos foram usados como cobaias em um estudo clínico cubano“, diz o médico venezuelano Jaime Lorenzo, da ONG Médicos Unidos Venezuela.


Preocupados com “laudos técnicos” da vacina da AstraZeneca, os governantes venezuelanos não têm qualquer receio em relação às vacinas cubanas.

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