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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi afastado do cargo nesta sexta-feira
Carlos Magno / GERJ
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi afastado do cargo nesta sexta-feira

O governador Wilson Witzel fez um pronunciamento inflamado nesta sexta-feira (28) após a decisão do Superior Tribunal de Justiça que determinou seu afastamento do Executivo fluminense. Com ataques diretos e velados ao presidente Jair Bolsonaro , Witzel afirmou que a solicitação da medida foi uma “questão pessoal” da subprocuradora-geral da República Lindora Araújo.

“Por que não se faz a distribuição, em vez do direcionamento para a dra. Lindora? Uma procuradora cuja imprensa já noticiou seu relacionamento próximo com a família Bolsonaro. Bolsonaro já declarou que quer o Rio de Janeiro, já me acusou de perseguir a família dele”, disse Witzel . Ele declarou que Lindora Araújo está se “especializando em perseguir governadores, desestabilizar os estados, com investigações rasas e buscas e apreensões preocupantes”.

Além das menções expressas, o discurso de Wilson Witzel foi recheado de indiretas ao presidente Jair Bolsonaro. Ao fazer um breve balanço de suas ações, ele questionou: “Eu estou incomodando prendendo milicianos? A Polícia Civil e o Ministério Público estão investigando, sim, e não vão parar”, disse Witzel . Milicianos ligados à família do presidente, como Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro, estiveram no algo de investigações conduzidas por promotores e policiais do Rio de Janeiro.

Outra referência velada foi feita ao questionar razões por trás de seu afastamento do cargo por um prazo de seis meses. “Por que 180 dias, se em dezembro tenho que escolher o novo procurador-geral de Justiça?”, questionou Witzel . A escolha do futuro chefe do Ministério Público do Rio de Janeiro é um tema de grande interesse para a família Bolsonaro – com a decisão que deu foro privilegiado a Flávio Bolsonaro, a investigação do esquema de rachid deve ser conduzida pelo procurador-geral de Justiça do estado.

Witzel também fez alusão à situação de Jair Bolsonaro ao ser questionado pela imprensa sobre contratos entre o escritório de advocacia de sua mulher, Helena Witzel, com empresas de outros investigados. “Na conta da primeira-dama do Rio de Janeiro não entrou dinheiro em espécie nem cheque de origem desconhecida. Aqui, não”, disse o governador afastado, sem citar diretamente os questionamentos sobre depósitos feitos por Fabrício Queiroz nas contas da primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro.

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