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Investigação identifica 'lista VIP' de políticos na realização de testes para Covid-19
Investigação identifica 'lista VIP' de políticos na realização de testes para Covid-19

Mensagens usadas para embasar a segunda fase da Operação Falso Negativo, que mirou a cúpula da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, indicam a priorização de uma lista, a qual inclui políticos e empresários, na realização de testes para a detecção de Covid-19 na capital federal. Mais de 170 pessoas teriam sido beneficiadas.

As apurações são conduzidas pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. Os diálogos mostram que Francisco Araújo, afastado do comando da Secretaria, exigiu que o diretor do Laboratório Central do DF, Jorge Antônio Chamon Júnior, agilizasse a entrega de resultados dos testes do senador cassado e empresário Luiz Estevão e do ex-governador do DF José Roberto Arruda.

Araújo e Chamon e mais quatro pessoas foram presos na quarta-feira, 25. A segunda fase da Falso Negativo investiga o direcionamento e o superfaturamento da compra de testes rápidos para Covid-19. De acordo com o MPDFT, o esquema provocou um prejuízo de mais de 18 milhões de reais aos cofres públicos, valor que permitiria a compra de cerca de 900 mil exames, quantia suficiente para atender quase um terço da população brasiliense.

As conversas revelam que a cobrança pela agilidade no exame de Arruda ocorreu em 19 e 20 de junho. No diálogo, Chamon afirma que o resultado só ficaria pronto no dia seguinte. Araújo, então, reitera o pedido. “Cara, dar [sic] não. Tem que ser hoje. Eles [sic] tá só esperando para viajar para encontrar a mãe. Por isso a gente leva bronca pela demora”. O então diretor do Lacen responde que “não há como atender todas essas prioridades”. “Estamos recebendo mais de 1 mil amostras por dia”, completou. Araújo rebate: “Então prioriza o que peço”.

O caso que envolve Luiz Estevão aconteceu em março. “Esse e do Luiz Estevão preciso do Resultado urgente”, disse. O empresário, preso pelo escândalo nas obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, cumpre pena em regime domiciliar, em caráter temporário, desde março, após decisão liminar no âmbito de um habeas corpus que tramita no Superior Tribunal de Justiça.

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