
Política sempre despertou opiniões fortes. Isso é natural. Estamos falando de decisões que interferem na economia, na educação, na segurança, nas famílias e no futuro de uma sociedade.
O problema começa quando deixamos de discutir ideias e passamos a atacar pessoas.
Nos últimos anos, vimos famílias divididas, amizades rompidas e relacionamentos desgastados porque pessoas que se amavam descobriram que pensavam diferente politicamente.
Precisamos recuperar a capacidade de discordar sem odiar.
“Quando uma opinião política vale mais do que um relacionamento, alguma coisa saiu do lugar.”
Eu acredito que o cristão deve participar da sociedade. Deve conhecer os problemas do país, avaliar propostas, cobrar autoridades e exercer sua cidadania com responsabilidade. Fé nunca deveria ser sinônimo de alienação.
Mas também acredito que nenhum político, partido ou ideologia pode ocupar o lugar que pertence a Deus.
Jesus viveu em um ambiente marcado por profundas tensões políticas e sociais. Ainda assim, sua mensagem nunca foi reduzida a um projeto de poder. Ele falou de justiça, verdade, misericórdia, serviço e amor ao próximo.
Esses princípios deveriam nos ajudar inclusive na maneira como fazemos política.
Não precisamos concordar com tudo. Democracia pressupõe divergência. O que não podemos perder é a capacidade de enxergar humanidade em quem pensa diferente.
“Convicção sem respeito facilmente se transforma em intolerância.”
Também precisamos aprender a avaliar nossos líderes pelo caráter e pelas atitudes, e não apenas porque pertencem ao grupo com o qual nos identificamos.
Se algo é errado quando o adversário faz, não pode se tornar certo simplesmente porque foi feito por alguém do nosso lado.
Essa coerência é fundamental.
Eu desejo um país em que as pessoas participem mais da vida pública, fiscalizem seus representantes e defendam suas convicções. Mas desejo também uma sociedade capaz de sentar à mesma mesa apesar das diferenças.
Porque governos passam, eleições terminam e partidos mudam.
Os valores que sustentam uma sociedade, porém, precisam permanecer.
E talvez um dos maiores sinais de maturidade seja justamente este: ter convicções firmes sem perder o respeito, a consciência e o amor pelas pessoas.