Desmatamento gerou mais da metade do fogo na Amazônia em 2020, diz Nasa

Cientista americano diz que projeto 'combate falsas narrativas' e que é um erro afirmar que incêndios ocorreram mais para limpeza de pasto e lavoura

Foto: Arquivo/PM-AC
Último dia 30 foi o dia de julho com mais queimadas nos últimos 15 anos na Amazônia

Um novo sistema de monitoramento de queimadas na Amazônia é capaz de identificar a fonte dos focos de incêndio , e mostra que, em 2020, uma parcela de 54% deles teve como origem o desmatamento , ainda que a temporada de fogo mal tenha começado na região. Usando dados do sitema VIIRS de imagens de satélite, o trabalho é uma colaboração internacional encabeçada por Douglas Morton, cientista do Centro Goddard da Nasa, e Niels Andela, da Universidade de Cardiff (Reino Unido).

O sistema usado na Amazônia e criado pelos cientistas para o projeto GFED (Global Fire Emissions Database) é o primeiro capaz de apontar em tempo real não apenas onde os focos de fogo estão, mas também a razão pela qual ocorrem: incêndios florestais, queimadas pequenas para limpar pastagem, queima de campos naturais ou incineração de árvores após desmate.

"Queremos maximizar nosso entendimento sobre que ocorre em solo e, honestamente, combater algumas das falsas narrativas que foram apresentadas sobre a natureza da atividade de queimada pela região ( da Amazônia )", disse Morton ao GLOBO na manhã desta sexta-feira.