calor na sibéria
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Imagens mostram onda de calor que atingiu a região da Sibéria

Nos últimos seis meses, a Sibéria registrou temperaturas consideradas amenas para a região. No Ártico , por sua vez, os termômetros bateram 38 graus Celsius em junho . As mudanças em áreas tradicionalmente gélidas foram analisadas em um estudo divulgado esta quarta-feira  (15)vpelo projeto World Weather Attribution . Estes eventos seriam praticamente impossíveis se não houvesse o aquecimento global induzido pelo homem, segundo reportagem do "Washington Post".

O levantamento foi feito através de uma colaboração de várias instituições na França, Alemanha, Holanda, Rússia, Suíça e Reino Unido. A partir da análise do pico de incêndios na Sibéria e no Ártico, os cientistas concluíram que estes eventos seriam 600 vezes mais prováveis na presença do aquecimento global induzido pelo homem, comparada à possiiblidade de que acontecessem sem qualquer interferência humana no meio ambiente.

A análise mostra que os seis meses de temperaturas muito acima da média na região ocorreriam menos de uma vez em 80 mil anos sem as mudanças climáticas causadas pelo homem.

Os cientistas usaram uma técnica cada vez mais estabelecida, conhecida como detecção e atribuição de clima , para determinar a possibilidade e a maneira como o aquecimento global teria influenciado um evento climático extremo.

Nesse caso, os pesquisadores usaram métodos estatísticos para examinar seis meses de temperaturas acima da média observadas entre janeiro e junho em grande parte da Sibéria, bem como o registro provisório de temperatura de 38 graus Celsius no Círculo Polar Ártico em 20 de junho .

Estudos anteriores deste grupo constataram consistentemente que as mudanças climáticas tornam as ondas de calor mais prováveis ​​e mais intensas do que seriam na ausência do aquecimento global causado pelo homem. As conclusões, porém, nunca foram tão enfáticas.

Por exemplo, um estudo de uma onda de calor europeia no ano passado constatou que o aquecimento global provavelmente quintuplicou as chances de um evento extremo, mas o novo estudo destacou que a sequência de calor na Sibéria de janeiro a junho pode ocorrer apenas menos de uma vez a cada 80 mil anos na ausência do aquecimento global.

"As temperaturas na Sibéria durante os últimos seis meses seriam efetivamente impossíveis sem a influência humana", disse Andrew Ciavarella, principal autor da pesquisa e cientista sênior do Met Office (Reino Unido).

As temperaturas prolongadas e extraordinariamente amenas na Sibéria estão tendo impactos claros nos ecossistemas, nos assentamentos humanos e até no próprio clima. Os incêndios no Ártico começaram extraordinariamente cedo este ano por causa das condições quentes e secas na Sibérias. Tais incêndios aumentaram o aquecimento global, emitindo dióxido de carbono e fuligem e desestabilizaram o solo gelado, liberando antigas reservas de dióxido de carbono e metano.

Embora a Sibéria não seja muito povoada, as ondas de calor estão entre os eventos climáticos mais mortais do mundo e podem atingir as pessoas tanto mental quanto fisicamente.

O projeto World WeatherAttribution reforçou o alerta para a necessidade de "aumentar a resiliência ao calor extremo em todo o mundo, mesmo nas comunidades do Ártico — o que pareceria absurdo há pouco tempo".

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