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Jipe-robô Curiosity sofre problemas de custo e pode custar mais de 4 bilhões de reais para ser lançado a Marte ainda este ano

Ilustração mostra como o Curiosity em solo marciano: problemas ameaçam a missão
NASA
Ilustração mostra como o Curiosity em solo marciano: problemas ameaçam a missão
A próxima missão da Nasa a Marte, que já está atrasada e com orçamento estourado, pode precisar de ainda mais dinheiro para cumprir a data de seu lançamento em novembro, revelou uma auditoria da agência espacial americana, divulgada nesta quarta-feira (8).

Embora os gerentes do projeto já tenham conseguido solucionar a maior parte dos problemas que causaram uma adiamento de dois anos na missão, auditores dizem que problemas significativos precisam ser resolvidos antes do lançamento do jipe-robô Curiosity ao planeta vermelho. No entanto, os responsáveis pelo projeto insistem que o trabalho que ainda precisa ser feito não irá atrasar a missão. “Neste ponto, estamos dentro do cronograma,” afiormou Dave Lavery, diretor executivo do programa, em entrevista no quartel-general da Nasa.

O robô, conhecido oficialmente por Mars Science Laboratory (Laboratório Científico Marciano, em inglês) foi criado para ser o veículo mais sofisticado já mandado à superfície marciana. Desde o início, a missão, gerenciada pelo Laboratório de Propulsão a Jato, teve problemas de desenvolvimento que adiaram o cronograma e aumentaram os custos, de US$1,6 bilhão (R$ 2,5 bilhões) para US$ 2,5 bilhões (R$3,95 bilhões).

O novo jipe-robô da Nasa tem o tamanho de um carro pequeno
JPL NASA/Divulgação
O novo jipe-robô da Nasa tem o tamanho de um carro pequeno
A auditoria interna da Nasa culpou os gerentes do projeto por rotineiramente subestimar custos e calcularam que podem ser necessários outros 44 milhões de dólares (69 milhões de reais) para evitar outro adiamento ou cancelamento. O valor já destinado, de acordo com o documento, “pode ser insuficiente para assegurar a finalização no prazo devido, em vista do padrão histórico de aumento de custos e quantidade de trabalho necessária”.

Do tamanho de um Mini Cooper, o veículo é uma versão aprimorada dos jipes-robôs Spirit e Opportunity . Em essência, o Curiosity é um laboratório sobre rodas, que carregará um grupo de ferramentas para analisar o solo e rochas de Marte, a fim de determinar se as condições ambientais do planeta foram capazes de sustentar algum tipo de vida primitiva.

O Curiosity deveria ter sido lançado em 2009, mas problemas de construção forçaram a Nasa a atrasar o lançamento para 2011, quando as órbitas dos dois planetas estarão mais próximas.

Engenheiros tiveram que refazer o escudo de proteção contra calor depois que ele falhou em testes de segurança. Também demoraram mais que previsto a construção e testes das caixas de câmbio que permitem que o jipe-robô se locomova e mexa seu braço robótico.

Os auditores encontraram 1200 relatos de problemas e falhas que ainda não foram resolvidos. Durantes os testes do braço robótico, por exemplo, engenheiros descobriram contaminação de amostras de rochas e solo. Desde então, foi encontrada uma maneira de minimizar a contaminação, mas os auditores afirmaram terem receio de que o conserto não possa ser completado até o fim deste mês, quando o Curiosirty deverá ser transportado da Califórnia à Flórida e iniciar a preparação de seu lançamento.

Outro atraso no lançamento pode custar ainda mais 570 milhões de dólares (900 milhões de reais). A Nasa justificou os problemas afirmando que o Curiosity é uma maquina bastante complexas e que problemas inesperados são comuns nesse tipo de projeto.

Ao contrário dos outros robôs, que chegaram a Marte acolchoados em sacos cheios de ar, o Curiosity, por ser movido a energia nuclear, usará um sistema de aterrissagem preciso, para gentilmente chegar à superfície – um feito de engenharia. O local de chegada ainda está sendo escolhido entre quatro finalistas.

Algo que o Curiosity não poderá fazer é tirar belas fotografias com uma câmera 3D de alta resolução. A Nasa tirou do projeto o equipamento, que estava sendo projetado com a ajuda do cineasta James Cameron, do filme Avatar.

Em vez disso, os “olhos” do jipe serão câmeras digitais a cores que são três vezes mais poderosas que as a bordo de missões anteriores.

O astrônomo Ronald Greeley, da Universidade Estadual do Arizona, que lidera um grupo de conselheiros da Nasa, afirmou estar encorajado pelo fato da agência estar encarando esses problemas seriamente e se diz ainda otimista com o lançamento do Curiosity ainda este ano. “Tudo que pode ser feito está sendo feito,” afirmou. “Isso não quer dizer que problemas ainda não possam acontecer.”

(Com informações da AP)