Estudo explica formação de nuvem de gelo gigante em Marte

Fenômeno aparece e desaparece sob o planeta durante as manhãs da primavera e do verão; estudos recentes sugerem que mecanismo inédito forma o evento

A nuvem gigante foi avistada pela primeira vez em 2018 pela sonda Mars Expressa, mas estudos ainda buscam explicar como por que ocorre
Foto: Divulgação/ESA
A nuvem gigante foi avistada pela primeira vez em 2018 pela sonda Mars Expressa, mas estudos ainda buscam explicar como por que ocorre

Uma nuvem branca de gelo  que pode chegar até 1.800 quilômetros de comprimento em Marte e desaparece em questão de horas. Apesar de impressionante, o fenômeno já era conhecido pela ciência, mas voltou a chamar atenção. Segundo pesquisa da Agência Espacial Europeia (ESA), simulações recentes indicam que um mecanismo incomum e nunca antes observados em atmosferas planetárias pode explicar a formação da nuvem gigante.

Conforme as informações divulgadas no dia 07 de outubro, a Nuvem Alongada de Arsia Mons (AMEC) é resultado de processos relacionados ao relevo e ao vapor de água. A nuvem aparece a favor do vento que paira sobre o Arsia, vulcão extinto de 20 quilômetros de altura.

Esse tipo de nuvem é chamado de orográfica e também existe na Terra. Ela ocorre quando o vento encontra montanhas e é forçado a subir. Em Marte , a nuvem cresce rapidamente, atinge quilômetros de comprimento e evapora. O tamanho é tanto que pode ser observado facilmente pairando sob o planeta.


Mecanismo incomum

Conforme a ESA, os pesquisadores incorporaram novo processo nas simulações meteorológicas que tentam exemplificar e explicar como a nuvem se forma no planeta vermelho.

O processo é chamado nucleação homogênea e ocorre quando partículas de gelo se formam diretamente do vapor de água independentemente de outras pequenas moléculas, como poeira, que serviriam de apoio para a formação.

Antes da inclusão desse mecanismo, as simulações não conseguiam reproduzir a nuvem de forma semelhante ao observado pelas sondas apontadas a Marte.

O autor principal do estudo, Jorge Hernández-Bernal, afirmou que esse processo físico era conhecido somente por teorias, sem nunca ter sido observado atuando de fato em uma atmosfera.

O avanço ajuda na compreensão da nucleação homogênea e da nuvem, mas ainda restam lacunas e ainda existem diferenças entre o comportamento reproduzido nos modelos e o registrado nas observações, sobretudo no tempo de formação e duração e no comprimento da nuvem.

Nuvem foi conhecida em 2018

A nuvem gigante foi avistada pela primeira vez em 2018 pela sonda Mars Expressa . Conforme a ESA, ela surge na primavera e verão do hemisfério sul de Marte, quando há maior atividade de poeira na atmosfera.

Entender a formação desse fenômeno pode ajudar a ciência a compreender comportamentos do vapor d’água diferentes dos conhecidos e encontrados sob as condições terrestres.