
Um engolidor-negro (Chiasmodon sp.) foi filmado a 1.259 metros de profundidade nas águas próximas a Trindade e Tobago, no Caribe, em julho deste ano. O animal, que costuma medir cerca de 10 centímetros, tinha o abdômen muito maior que o normal porque havia engolido uma presa várias vezes maior que seu próprio corpo.
O peixe vive em regiões profundas do oceano , onde encontrar comida pode ser difícil. Por isso, seu corpo tem características que permitem aproveitar uma grande quantidade de alimento quando uma presa aparece.
Uma dessas características é a mandíbula, que consegue se abrir e se movimentar de uma maneira que aumenta o espaço disponível para engolir a presa. O estômago também consegue se esticar bastante, como um balão .
Essa combinação permite que o peixe engula animais muito maiores que ele. No exemplar registrado, a presa era tão grande que a pele do abdômen ficou quase transparente . Por causa disso, as imagens permitem observar partes do interior do peixe, incluindo órgãos e intestinos.
Apesar de ser possível ver o interior do animal, os pesquisadores não conseguiram descobrir qual era a presa que ele havia engolido.
Diva Amon, cientista-chefe da expedição e integrante da organização SpeSeas, afirmou que uma tomografia poderia ajudar a descobrir o que havia sido comido pelo peixe .
Amon também contou que havia visto seu primeiro engolidor-negro quase uma década antes, no Golfo do México.
Peixe foi filmado a mais de 1 km de profundidade
O animal foi registrado pelo SuBastian, um equipamento controlado remotamente que permite aos pesquisadores explorar regiões profundas do oceano e filmar os animais que vivem nesses locais.
O registro aconteceu durante uma expedição de um mês realizada em julho de 2026 nas águas de Trinidad e Tobago e de áreas próximas em alto-mar. A pesquisa foi conduzida por cientistas de Trindade e Tobago.
A região ainda é pouco conhecida. Durante o trabalho, os pesquisadores encontraram mais de 25 áreas onde gases e outros materiais saem do fundo do oceano e ajudam a sustentar comunidades de animais.
Nesses locais, bactérias usam substâncias químicas, como o metano, para produzir energia. Esse processo permite que animais como mexilhões, mariscos e vermes-tubo vivam nesses ambientes mesmo sem depender da luz do Sol.
Mais de 50 espécies não haviam sido vistas no país
A expedição ainda encontrou 20 outras espécies consideradas possivelmente novas para a ciência, mapeou cerca de 13% do fundo do mar ainda não registrado em mapas da região e coletou mais de 700 exemplares de animais.
Pelo menos 54 espécies nunca haviam sido observadas anteriormente nas águas de Trindade e Tobago. Entre elas estavam tubarões-fantasma e vermes-zumbis .
Os pesquisadores também encontraram a carcaça de uma arraia-manta no fundo do mar . Restos de animais desse tipo podem servir de alimento para outros seres que vivem nas profundezas, incluindo caranguejos e vermes.