Polvo-comum predando caranguejo-azul
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Polvo-comum predando caranguejo-azul

Um exército de milhares de integrantes com oito braços cada entrou em batalha no Mar Adriático, na Itália.  Cientistas soltaram cerca de 130 mil filhotes de polvo-comum para tentar frear o avanço do caranguejo-azul, uma espécie invasora de crustáceo que vem devastando a fauna nativa e a pesca no país. Os polvos foram gerados em laboratório e estão no estágio paralarval, logo após a eclosão, com poucos milímetros de comprimento. A ideia dos biólogos é incentivar a alimentação dos moluscos, conhecidos por serem predadores implacáveis do crustáceo  exótico.

Caranguejo-azul
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Caranguejo-azul


O caranguejo-azul é uma iguaria muito valorizada nos Estados Unidos,  mas outros países o veem como praga. A subespécie originária do Oceano Atlântico ocidental habita desde a costa leste do Canadá até o norte da Argentina. O animal teria chegado ao Mar Mediterrâneo através da água de lastro de navios mercantes, que servia para gerar maior estabilidade na navegação.

Polvo-comum predando caranguejo-azul
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Polvo-comum predando caranguejo-azul


O animal marinho chegou no século passado, mas o estrago começou de fato há cerca de dez anos, quando a população disparou. Sem predadores naturais e favorecido pelo aquecimento das águas, o caranguejo-azul se multiplicou rapidamente, já que cada fêmea põe mais de 700 mil ovos no período reprodutivo. Possuindo garras afiadíssimas, o crustáceo abre conchas de mariscos e arruína o cultivo de moluscos.

Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul
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Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul


A Universidade de Bolonha, no Centro-Norte da Itália, resolveu investir na contenção de danos através de uma resposta biológica. A instituição criou o Octo-Blu, projeto financiado em parceria com o Governo do Estado de Emilia-Romanha. Segundo a equipe responsável, sob condições ideais, um polvo adulto de um quilo devora até quatro caranguejos-azuis por dia. A iniciativa não buscou nenhum animal exótico para o controle do crustáceo, optando por reforçar a população do molusco nativo da região.

Não estamos introduzindo uma nova espécie, mas trabalhando para fortalecer a população de uma espécie nativa que já está naturalmente presente no Adriático. Antonio Casalini, técnico de pesquisa em aquicultura da Universidade de Bolonha (à Scientific American)


Paralarvas dos filhotes de polvo foram criadas em laboratório
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Paralarvas dos filhotes de polvo foram criadas em laboratório


O projeto teve início em 2024 e contou com uma fase preliminar de laboratório dedicada a descobrir como criar os filhotes. As primeiras solturas aconteceram em 11 e 17 de junho deste ano e seguiram ao longo de agosto, na altura das cidades de Cesenatico e Riccione, região castigada pela proliferação do  crustáceo invasor. Ademais, os pesquisadores ainda instalaram tocas artificiais para abrigar os cefalópodes recém-chegados.

Polvo é "casca grossa" e tem reprodução rápida

Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul
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Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul


De acordo com a equipe do Octo-Blu, o polvo-comum foi escolhido por ser uma subespécie resistente e de reprodução veloz, com fêmeas capazes de gerar centenas de milhares de ovos. Outro fator que levou à eleição do molusco foi o fato de já existir naturalmente em toda a Itália, evitando novas inserções de animais invasores.

Polvo-comum
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Polvo-comum


Novas levas de filhotes de polvo serão lançadas conforme a produção labotatorial dos moluscos, mas os resultados só aparecerão no longo prazo. A proposta do Octo-Blu não é exterminar o invasor, mas controlá-lo junto de outras estratégias, como iniciativas de pesca predatória.

Pesca do caranguejo-azul está entre as medidas adotadas pelo Governo da Itália
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Pesca do caranguejo-azul está entre as medidas adotadas pelo Governo da Itália


Apesar das altas expectativas, há um fator habitacional que pode atrapalhar. Os caranguejos da Emilia-Romanha vivem em áreas quentes, rasas e arenosas, que não combinam com o habitat preferido do polvo, o que pode reduzir o encontro entre caçador e presa. Por isso, os pesquisadores já estudam alternativas, como o uso de enguias ou robalos na predação do crustáceo.

Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul
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Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para conter ameaça do caranguejo-azul


Na Itália, a proliferação do caranguejo-azul é tão grande que o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar nomeou um "comissário extraordinário", Enrico Caterino, para enfrentar a situação. Mesmo assim, a espécie exótica continua a se multiplicar.

O objetivo é colocar em campo todos os instrumentos disponíveis para combater o caranguejo-azul, proteger o equilíbrio do nosso ecossistema marinho e apoiar as empresas de pesca e aquicultura da Emilia-Romanha. Por isso, estamos dispostos a apoiar também outros projetos de universidades ou centros de pesquisa que sigam nessa direção. Alessio Mammi, secretário de Agricultura e Pesca da Emilia-Romanha



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