
Uma planta muito usada em jardins do Brasil produz uma seiva branca que pode causar intoxicação e afetar o funcionamento do coração.
Em grandes quantidades, a substância pode provocar visão turva , vômitos, alterações perigosas nos batimentos cardíacos e até risco de morte . Apesar do perigo, a rosa-do-deserto (Adenium obesum) também é usada há gerações em práticas medicinais, religiosas e culturais.
Antes mesmo de conhecer os riscos, é difícil não notar a aparência da rosa-do-deserto. A planta tem um tronco muito largo e arredondado, com galhos finos e flores em tons de rosa e branco.
Na base, o tronco pode chegar a cerca de 2,4 metros de largura. O tronco e as raízes aumentados funcionam como reservatórios de água, permitindo que a planta sobreviva em um ambiente seco.
Essa capacidade é especialmente importante em Socotra, uma ilha no Iêmen conhecida pelo clima árido e pela grande quantidade de espécies encontradas só na região.
A rosa-do-deserto pertence à família Apocynaceae, grupo que inclui plantas capazes de produzir uma espécie de látex e substâncias que podem afetar o organismo.
As sementes e as raízes estão entre as partes que concentram maiores quantidades das substâncias tóxicas .

O perigo está da seiva
Quando algum galho ou outra parte da planta é machucado, uma seiva branca e leitosa é liberada. É nela que estão algumas das substâncias responsáveis pela toxicidade da espécie.
Entre elas estão os chamados glicosídeos cardíacos, substâncias que podem alterar a maneira como o coração bate. Em pequenas quantidades, compostos desse grupo podem aumentar a força das contrações do coração e diminuir a frequência dos batimentos . Por isso, substâncias parecidas são utilizadas em alguns tratamentos para problemas cardíacos.
Em quantidade elevada, a intoxicação pode causar vômitos, visão turva e alterações no ritmo do coração, além de outros sintomas que podem colocar a vida em risco. Por isso, a planta não deve ser consumida ou utilizada por conta própria como tratamento.
A rosa-do-deserto também pode causar problemas em animais que ingerem suas partes. Um caso documentado envolveu uma arara-canindé (Ara ararauna) criada como animal de estimação. A ave comeu uma flor de uma rosa-do-deserto cultivada em casa e teve uma reação grave logo depois. O animal precisou de 12 dias de tratamento veterinário, mas conseguiu se recuperar.
Já a lagarta da mariposa Syntomeida epilais se alimenta das folhas. Quando chega à fase adulta, a mariposa também ajuda na reprodução da planta ao transportar pólen entre as flores, junto com outras espécies de mariposas noturnas.
Planta é usada tradicionalmente
No norte da Tanzânia, os hadzas usam partes da planta como veneno para flechas usadas na caça. O material pode ser aplicado para caçar animais como búfalos, zebras, girafas e aves.
Em outras regiões, a planta também é usada tradicionalmente para envenenar peixes, controlar pragas e eliminar animais considerados indesejados.
Um estudo de 2024 reuniu diversos usos medicinais tradicionais da espécie. Ao longo do tempo, partes da planta foram utilizadas para problemas de pele, ferimentos, dores de ouvido, cáries, piolhos e diferentes tipos de infecção.
Algumas comunidades também usam a planta em tratamentos tradicionais contra doenças como a malária e outras infecções causadas por parasitas. No entanto, ainda não há confirmação de que esses tratamentos sejam eficazes.
Pesquisadores já identificaram dezenas de substâncias na planta. Algumas apresentaram possíveis efeitos contra bactérias e vírus, além de ações antioxidantes e contra células cancerígenas em estudos. Uma revisão encontrou 53 substâncias que já haviam sido analisadas anteriormente, mas também destacou que algumas são tóxicas.