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Cientistas o conhecem desde 1999 e temem que um dia ele possa se chocar contra a Terra; agência espacial dos Estados Unidos vai lançar em setembro deste ano sonda Osiris-Rex para coletar amostras da superfície do asteroide

BBC

Agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) vai lançar em setembro uma sonda para estudar o asteroide Bennu
Nasa
Agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) vai lançar em setembro uma sonda para estudar o asteroide Bennu

Os cientistas o conhecem desde 1999 e temem que um dia ele possa se chocar contra a Terra. Trata-se do asteroide Bennu, que a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) está disposta a estudar.

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A agência vai lançar em setembro a sonda Osiris-Rex para coletar amostras da superfície do asteroide, explicou Dante Lauretta, professor da Universidade de Tucson, no Arizona, e principal investigador da missão.

A Osiris-Rex irá procurar elementos orgânicos que podem ser de grande valor para a comunidade científica e para entendermos a composição e o comportamento de Bennu.

O asteroide causa expectativa porque existe uma pequena chance – 1 em 2,5 mil, segundo a Nasa – de que ele colida com o nosso planeta no século 22, por volta do ano 2135, quando sua aproximação com a Terra e a Lua pode alterar sua órbita. Ele foi, inclusive, batizado com o nome de uma ave mitológica egípcia que tem associações com a morte.

Sonda da Nasa vai chegar ao asteroide em 2018 e voltará com uma amostra da superfície de Bennu em 2023
Nasa
Sonda da Nasa vai chegar ao asteroide em 2018 e voltará com uma amostra da superfície de Bennu em 2023

Alguns cientistas dizem que o corpo celeste poderia trazer "sofrimento e morte" para a Terra, mas há quem diga também que, mesmo que ele chegue de fato por aqui, não vai destruir o planeta. A sonda Osiris-Rex talvez nos dê mais pistas sobre a rota do astroide, diz Lauretta.

O processo

A sonda Osiris-Rex terá de sobreviver dois anos antes de chegar ao asteroide. Os cientistas envolvidos na sua criação alegam que o aparelho não terá dificuldades em resistir à viagem espacial, por ser o primeiro dispositivo desse tipo construído sem partes móveis – o que reduz o risco de alguma peça ser deteriorada durante a viagem da missão. "Nós a projetamos para ser robusta e capaz de durar um longo tempo no espaço", explicou a Nasa.

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Sonda enviada a asteroide vai estudar superfície de 'asteroide morte'; aparelho não terá dificuldades em resistir à viagem
Nasa
Sonda enviada a asteroide vai estudar superfície de 'asteroide morte'; aparelho não terá dificuldades em resistir à viagem

Com a análise do espectro infravermelho, poderemos detectar aspectos únicos dos minerais e outros materiais encontrados no asteroide. Isso permitirá que os cientistas identifiquem a origem de materiais orgânicos, carbonatos e silicatos, e níveis de água absorvida na superfície de Bennu.

Um monstro em movimento

Bennu viaja em torno do Sol a uma velocidade de 101.389 km/h e pode ser visto a cada seis anos a partir da Terra.

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Uma das finalidades mais importantes da missão da Nasa é determinar como a órbita de Bennu pode ser afetada pelo aquecimento ou esfriamento de sua superfície pela luz solar durante o dia.

O asteroide é aquecido pela luz solar, aumenta a sua temperatura e emite radiação térmica em diferentes sentidos durante seu movimento de rotação. Esse fenômeno é conhecido como Efeito de Yarkovsky, que com o tempo altera sua órbita.

Cientistas da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) desenvolvem sonda que será enviada para asteroide
Nasa
Cientistas da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) desenvolvem sonda que será enviada para asteroide

Essa emissão térmica dá a Bennu um impulso pequeno porém constante, explica a Nasa – e isso muda a sua órbita ao longo do tempo. Segundo a agência espacial, estudar o asteroide ajudará os cientistas a compreender melhor não apenas o Efeito de Yarkovsky, mas também a melhorar as previsões relacionadas às órbitas de outros asteroides.

Outros objetivos

O outro grande objetivo da missão é conseguir estudar, através de amostras coletadas, a origem do nosso Sistema Solar e da vida. Isso porque acredita-se que essas amostras sejam ricas em material carbônico e orgânico. "Queremos ver o que Bennu testemunhou ao longo de sua evolução", disse um cientista da Nasa em 2014, quando o estudo do asteroide já estava em curso na agência.

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A sonda da Nasa vai chegar ao asteroide em 2018 e voltará com uma amostra da superfície de Bennu em 2023. "Sempre vamos encontrar desafios que desconhecemos, mas depois desta missão podemos começar a planejar com antecedência para futuros riscos", disse Amy Simon, diretora-assistente técnica da Ovirs.