Estranheza domina o brasileiro "Trabalhar Cansa"

Único filme do país na competição oficial, estreia de Marco Dutra e Juliana Rojas na direção concorre na mostra Um Certo Olhar

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes | 12/05/2011 21:00

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Foto: Divulgação

Helena Albergaria em "Trabalhar Cansa", de Marco Dutra e Juliana Rojas: flerte com o terror

O longa brasileiro “Trabalhar Cansa”, dos estreantes Marco Dutra e Juliana Rojas, concorrente da mostra Um Certo Olhar e do prêmio Caméra D’Or no Festival de Cannes 2011, não tem violência urbana, favela ou sertão. Seus personagens são de classe média e sofrem problemas de classe média.

Otávio (Marat Descartes) perde o emprego bem na hora em que a mulher, Helena (Helena Albergaria), achou o imóvel para montar um mercadinho. Ele foi cuspido pela empresa onde trabalhava depois de dez anos. O casal resolve seguir com o plano mesmo assim. A mulher precisa contratar uma empregada em casa e empregados no novo negócio, despertando o capitalista que está adormecido dentro de si.

Bem aos poucos, coisas surpreendentes começam a aparecer. E mais, melhor não contar. “Trabalhar Cansa”, exibido em sessão oficial na noite desta quinta-feira (12), é diferente de boa parte da produção brasileira também porque arrisca-se no gênero, no caso, o terror.

Como nos curtas da dupla – “O Lençol Branco” e “Um Ramo” –, o clima opressor, de algo à espreita, está presente. Monstros saem do armário para falar de questões como maternidade e trabalho. Tudo é muito seco, e isso somado às estranheza pode assustar grande parte do público. Mas o filme mostra o caminho interessante trilhado pela jovem dupla de cineastas.

Assista ao teaser trailer de "Trabalhar Cansa"

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