Chuva forte deve atingir quatro estados com até 200 mm

Cidades do Sul e Sudeste podem ter enxurradas e transbordamentos de rios pela atuação de sistemas que favorecem a formação de temporais severos

O volume acumulado pode passar de 200 milímetros em certas regiões do Sul
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O volume acumulado pode passar de 200 milímetros em certas regiões do Sul

Uma frente de instabilidade deve provocar chuva forte e tempestades entre esta quinta-feira (10) e sexta-feira (11) em áreas do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em alguns pontos, o volume acumulado pode passar de 200 milímetros, além de haver risco de granizo, rajadas de vento superiores a 70 km/h e tornados.

As áreas mais afetadas devem ficar na Região Sul, no sul de Mato Grosso do Sul e em parte de São Paulo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) . Até terça-feira (15), os maiores volumes são esperados em Santa Catarina, Paraná e no norte do Rio Grande do Sul.

Previsão de chuva forte

Paraná, Santa Catarina e o noroeste do Rio Grande do Sul devem concentrar as tempestades mais fortes nesta quinta-feira (10). A previsão inclui chuva intensa, trovoadas, ventos fortes e possibilidade de granizo .

Entre quinta-feira e sábado (12), os maiores volumes devem se concentrar no Paraná, em Santa Catarina e em áreas próximas das fronteiras com o Paraguai e a Argentina. Em alguns pontos, a chuva pode acumular de 150 a 200 milímetros em três dias. Nas regiões próximas, os volumes devem ficar entre 70 e 100 milímetros.

Previsão de chuva acumulada (08 de setembro a 15 de setembro de 2026)
Foto: Reprodução/INMET
Previsão de chuva acumulada (08 de setembro a 15 de setembro de 2026)


Na sexta-feira (11), a  instabilidade deve continuar em grande parte da Região Sul. Também há possibilidade de granizo em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, norte do Rio Grande do Sul e extremo oeste de São Paulo.

Em Mato Grosso do Sul, o tempo deve ficar instável nesta quinta-feira, principalmente nas regiões sul e leste. A chuva deve continuar no estado e na faixa sul de São Paulo até terça-feira (15), com acumulados entre 50 e 100 milímetros.

Em São Paulo, são esperadas  pancadas de chuva e trovoadas nesta quinta-feira (10), principalmente no extremo sudoeste e no extremo sul. Na sexta-feira (11), a chuva deve atingir todo o estado. Também são previstas rajadas acima de 70 km/h em áreas entre Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

No Rio de Janeiro, no Triângulo Mineiro e no sul de Minas Gerais, a previsão indica pancadas de chuva e trovoadas nesta quinta-feira (10). Na sexta, a instabilidade deve continuar no Rio de Janeiro, no sul de Minas Gerais e no sul do Espírito Santo.

No restante do país, a previsão é de tempo predominantemente seco em grande parte do Centro-Oeste, no norte e centro de Minas Gerais, no Espírito Santo, na Bahia e no Sertão e Agreste do Nordeste até terça-feira (15).

No Norte, Roraima e noroeste do Amazonas também podem registrar volumes elevados, entre 60 e 150 milímetros no período. Nas demais áreas da região, a chuva deve ser mais isolada, com acumulados de 1 a 30 milímetros.

Foto: Reprodução/INMET
Previsão de chuva acumulada (mm) de quarta-feira (09) até o final de sexta-feira (11)


Riscos de alagamentos e deslizamentos

A chuva persistente aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e transbordamento de rios, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Como algumas áreas já receberam volumes elevados, a continuidade das chuvas pode provocar novos desastres.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) acompanha municípios como Cascavel (PR), Curitiba (PR), Chapecó (SC), Caçador (SC), Joinville (SC) e Blumenau (SC).

A elevação dos rios também pode acontecer até sábado (12), principalmente nas bacias do Guaíba e seus afluentes, no Rio Grande do Sul; do Alto Uruguai, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina; do Itajaí-Açu, em Santa Catarina; do Negro, entre Santa Catarina e Paraná; e do Ribeira do Iguape, entre Paraná e São Paulo.

O solo já úmido, combinado com a continuidade da chuva , também pode aumentar o risco de deslizamentos na Região Metropolitana de São Paulo, no Vale do Ribeira, no Sul de Minas e na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o CEMADEN acompanha o risco de alagamentos, enxurradas e transbordamento de córregos nas regiões de São Paulo (SP), Sorocaba (SP), São José dos Campos (SP) e Campinas (SP). Como a chuva deve continuar pelo menos até o fim de semana, os volumes acumulados podem aumentar e fazer alguns rios chegarem a níveis críticos.

Também há risco de alagamentos e enxurradas em Pouso Alegre (MG), Volta Redonda (RJ), Barra Mansa (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Petrópolis (RJ).


O que está provocando tanta chuva?

A chuva é resultado da combinação de diferentes sistemas meteorológicos que favorecem a formação de áreas de instabilidade.

No Sul, uma faixa de baixa pressão , chamada de cavado, ajuda a formar nuvens carregadas. Ao mesmo tempo, o Jato de Baixos Níveis, um corredor de ventos que transporta umidade pelo interior do continente, leva grande quantidade de vapor de água para a região.

Com mais umidade disponível, a atmosfera fica favorável à formação de tempestades. Em níveis mais altos, a atuação da corrente de jato subtropical, formada por ventos fortes, também contribui para esse cenário.

Essa combinação pode favorecer o crescimento das cumulonimbus, grandes nuvens de tempestade que podem atingir grandes altitudes e provocar chuva intensa , raios, granizo e ventos fortes.

Dentro dessas nuvens, também podem aparecer correntes de ar que descem rapidamente em direção ao solo. Quando chegam à superfície com muita força, elas podem provocar rajadas intensas e, em algumas situações, contribuir para a formação de tornados.