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Nova tarifa de R$ 3 começa a valer nesta quarta-feira na capital paulista

A nova tarifa de ônibus da cidade de São Paulo confirma uma tendência apontada por um número crescente de estudos: a capital paulista está se tornando um dos municípios mais caros do mundo para se viver. Com a tarifa a R$ 3 , São Paulo dá mais um passo para ficar de vez em rankings deste tipo. A partir de hoje, um paulistano passa a gastar com ônibus, por mês, o mesmo que um morador de Paris. 

Na capital francesa, o bilhete custa 1,7 euro. Esse valor equivale a R$ 3,78, com o euro cotado a R$ 2,22. Multiplicando por dois (a viagem de ida e volta ao trabalho), o valor vai a 3,4 euros. Depois, multiplicando esse valor por 22, geralmente o número de dias úteis de um mês, o preço mensal para se locomover na cidade seria muito maior do que o valor paulistano: 74,8 euros, algo em torno de R$ 166,30. 

Em 2011, paulistano pagará passagem de ônibus com preço equivalente ao de capitais de países ricos da Europa
AE
Em 2011, paulistano pagará passagem de ônibus com preço equivalente ao de capitais de países ricos da Europa
Porém, diferente de São Paulo, Paris oferece um pacote mensal aos seus moradores, o que derruba consideravelmente o valor. Usando o cartão Navigo, um parente distante do Bilhete Único, e se locomovendo entre as principais áreas de Paris, o preço da viagem mensal é de 60,40 euros, o equivalente a R$ 134. Já um paulistano vai pagar, por mês, R$ 132. 

Com esse aumento, São Paulo se aproxima de outras campeãs dos preços altos. Em Londres, a tarifa de ônibus, simples, é de 1,30 libra. Em reais, o valor é de cerca de R$ 3,40 (considerando que uma libra inglesa custa R$ 2,60). Como em Paris, em Londres é possível comprar bilhetes mensais. Um inglês paga 68,40 libras (cerca de R$ 178) para andar de ônibus por mês. 

Já em Nova York, também uma cidade que aparece constantemente na lista das cidades mais caras, a tarifa simples custa US$ 2,25, o equivalente a R$ 3,75 (com o dólar a R$ 1,67). Mas caso opte por comprar um pacote mensal, o novaiorquino paga US$ 104, o equivalente a R$ 174. 

Apesar disso, não há, ao menos no horizonte próximo, chance de São Paulo superar Tóquio. Na capital japonesa, que costuma aparecer em diversos rankings como a cidade mais cara do mundo, o ônibus custa 500 ienes, o equivalente a R$ 10,1. Diferente das capitais européias, porém, este bilhete dá ao passageiro o direito de pegar quantos ônibus quiser, quantas vezes quiser, por dia. É um modelo mais parecido com o de São Paulo. Na capital paulista, a tarifa dá direito a quatro viagens de ônibus realizadas num intervalo de duas horas. Esse, aliás, é um dos principais argumentos da Prefeitura de São Paulo para o aumento da passagem de ônibus. 

Cada modelo tem seus prós e contras, que influenciam no preço final: subsídio dado pelo governo, o número de viagens que permite, variedades de transportes que podem ser usados com a mesma tarifa (metrô e trem, por exemplo), tamanho da população e inflação. É a combinação entre eles que resulta no preço final. De qualquer maneira, há sempre um fator decisivo, que é sempre levado em contas pelas principais capitais do mundo na hora de fechar o preço da passagem de ônibus: a renda dos usuários. E, entre essas cidades, São Paulo é a única de um País em desenvolvimento.

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