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Água chega a 2 metros em unidade feminina e cerca de 90 mulheres devem ser transferidas para centro de detenção em Franco da Rocha

Noventa mulheres que estão detidas no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico I, em Franco da Rocha (a 47 km de São Paulo), terão de ser transferidas provisoriamente para um Centro de Detenção Provisória feminino do município após a unidade onde estavam abrigadas ficar alagada e ilhada em meio às fortes chuvas que atingiram a região desde o início da semana.

Centro de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, alagado desde abertura das comportas de represa
AE
Centro de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, alagado desde abertura das comportas de represa

As águas que atingiram a área chegam a dois metros de altura. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), do governo estadual, as dificuldades para transferir as detentas são “enormes”, mas a manutenção das mulheres no local é inviável.

O hospital prisional abriga presos e presas considerados portadores de doenças mentais e que foram detidos por meio de medidas de segurança.

nullSoldados da Polícia Militar do Estado foram deslocados para a unidade para auxiliar a operação.
De acordo com a SAP, apesar das dificuldades, o fornecimento de medicamentos e alimentos aos internos do hospital não foi prejudicado pelas chuvas.

A secretaria informou também que tem em mãos um plano de contingência caso seja necessário transferir os homens no hospital, que abriga 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) detentos. O local para onde eles podem ser levados não foi divulgado por motivos de segurança.

Franco da Rocha tem 131 mil habitantes e cerca de 8 mil detentos, nas contas da prefeitura local.  Como está localizada em um vale, entre o rio Juqueri e o ribeirão Eusébio, problemas decorrentes de alagamentos são constantes na região. 

Desta vez, a alta precipitação fez com que a cheia se concentrasse no rio Juqueri, que faz ligação com a represa Paiva Castro – parte do sistema Cantareira.

Com a água no limite e com risco de rompimento, segundo a Sabesp, a comporta da represa foi aberta entre terça-feira e quarta-feira. O alagamento deixou ao menos 35 famílias desalojadas. A cidade, desde então, está praticamente isolada, com prédios públicos da Prefeitura, fórum, delegacia e Câmara Municipal debaixo d'água.

A linha de trem entre Franco da Rocha e Caeieiras, município vizinho, está interrompida desde o fim da tarde, e o governo estadual teve de disponibilizar ônibus gratuitos para transportar os habitantes de uma cidade para outra.

A orientação da prefeitura para os habitantes é que, enquanto durarem as cheias, as pessoas evitem nadar ou mexer em fiações em suas casas e, se estiverem em área de perigo, prestar atenção em eventuais deslocamentos de terra – que podem dar origem a deslizamentos.

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