Com donos de "fachada", 6 postos de gasolina são lacrados em SP

Ação conjunta interditou estabelecimentos sem autorização da ANP que utilizavam "laranjas" para ocultar os reais beneficiários do esquema

Bomba de combustível interditada após Operação Bomba Oculta
Foto: Divulgação
Bomba de combustível interditada após Operação Bomba Oculta


Seis postos de combustíveis clandestinos que operavam sem autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram lacrados em São Paulo , nesta sexta-feira (28). Os alvos funcionavam por meio de "laranjas", que são pessoas usadas como fachada para esconder os verdadeiros donos das empresas. 

A interdição ocorreu no âmbito da Operação Bomba Oculta, uma ação conjunta envolvendo vários órgão, que bloqueou diversas empresas ligadas a esquemas de irregularidades no setor de combustíveis.

Além do fechamento dos pontos de venda ilegais, a operação foca em desarticular a estrutura financeira da rede e combater a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro promovidas pelos reais beneficiários do esquema. 

Receita Federal na Operação Bomba Oculta, em São Paulo
Foto: Divulgação
Receita Federal na Operação Bomba Oculta, em São Paulo


Além disso, 1,2 mil CNPJs e 228 inscrições estaduais serão considerados inaptos para impedir movimentações financeiras, bloqueando as contas bancárias, e emissão de notas fiscais eletrônicas . Desde 2019, mais de 10 mil postos já tiveram suas licenças revogadas, mas muitos continuam operando de forma irregular, se aproveitando de brechas do CNPJ ativo para adquirir e comercializar combustíveis.

Cerca de 60 servidores participaram da operação de campo na Grande São Paulo, consolidando o esforço integrado para desmantelar o esquema clandestino; ainda hoje começou o saneamento dos cadastros do CNPJ e das inscrições estaduais.

Carbono Oculto

A ofensiva é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, após um ano de sua realização, que revelou a infiltração do crime organizado em toda a cadeia do mercado de combustíveis, da importação à produção e revenda .

Com mais de 130 mil agentes atuando no setor, o mercado tornou-se terreno fértil para sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas, causando prejuízos aos cofres públicos e colocando em risco a segurança do consumidor, uma vez que o combustível adulterado pode danificar o automóvel.


Para reforçar o combate às irregularidades, foi publicada recentemente a Instrução Normativa RFB nº 2.340, que amplia as hipóteses de declaração de inaptidão de empresas envolvidas em atividades ilícitas. A norma permite que órgãos reguladores atuem em conjunto com a Receita Federal para retirar do mercado empresas que operam sem autorização, tornando mais rígido o controle sobre o setor.