
A optometrista Evellyn Caroline, de 33 anos, noiva do guarda civil metropolitano Pedro Paulo José Maria, de 43, relatou ao iG que o companheiro dizia não ter apoio da corporação para tratar problemas de saúde mental. Pedro morreu em junho deste ano, e, segundo Evellyn, a causa da morte está sendo investigada pela própria Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Desde 8 de julho, o iG tenta entrevistar a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Lopes Bussacos para comentar sobre as reportagens realizadas sobre casos de saúde mental envolvendo a corporação, as diferenças entre as bases da periferia e do Centro de São Paulo e o fato de a maior parte das inspetorias funcionar em sedes improvisadas, mas não obteve respostas .

Em outubro de 2025, após uma tentativa de suicídio, Pedro teria sido afastado das atividades nas ruas e realocado para uma função interna na corporação. Durante o período, ficou sem acesso ao armamento e passou por cerca de um mês de acompanhamento psicológico.
Após esse período, o guarda teria recebido alta e sido considerado apto a retornar às atividades nas ruas.
Segundo a noiva, após a morte de Pedro, a família não recebeu suporte da corporação. Ela também tenta ter acesso ao laudo que autorizou o retorno do guarda às atividades externas, mas afirma que ainda não recebeu o documento nem uma resposta da GCM .
Evellyn conta que Pedro também relatava a ela que outros guardas enfrentavam problemas relacionados à saúde mental e que, na avaliação dele, a corporação não oferecia suporte suficiente aos servidores.
Pedro atuava na Ronda Ostensiva Municipal (Romu), força especializada da Guarda Civil Metropolitana. A base onde trabalhava ficava na Vila Prudente, na Zona Leste de São Paulo.
Suicídios e afastamentos por saúde mental
Um levantamento obtido com exclusividade pelo iG mostra que, desde 2021, foram registrados 15 suicídios e quatro tentativas entre guardas civis metropolitanos de São Paulo. Somente em 2025 e até julho de 2026, foram registradas quatro mortes em cada ano.
Além dos casos de suicídio, 6.932 licenças médicas foram concedidas a GCMs da capital paulista entre janeiro de 2021 e 16 de julho de 2026. No mesmo período, mais de 2,3 mil servidores precisaram se afastar por motivos relacionados à saúde mental.
O psicólogo e mestre em saúde mental com foco em servidores da segurança pública, Carlos Jean, avalia que o adoecimento mental entre os agentes é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, cita o endividamento, a falta de plano de carreira e as escalas excessivas, que ultrapassam a carga de trabalho e contribuem para o desgaste físico e emocional.
Embora os afastamentos relacionados à saúde mental tenham atingido aproximadamente um em cada três guardas no período, Jean afirma que muitos agentes evitam chegar a esse ponto. Segundo ele, há o receio de serem vistos como um “problema” dentro da instituição, além do impacto financeiro provocado pelo afastamento, já que o servidor pode perder parte da remuneração.
O iG procurou a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e a secretária Juliana Lopes Bussacos para solicitar um posicionamento sobre o caso e os dados relacionados à saúde mental dos agentes da GCM, mas não houve resposta até a publicação.
Se você ou alguém que conhece estiver enfrentando sofrimento emocional ou pensamentos suicidas, é possível buscar apoio gratuito e sigiloso no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188 ou pelo chat disponível no site do serviço. Em situações de emergência, procure o serviço de saúde mais próximo ou ligue para o Samu (192).