
Um estudo realizado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp), descobriu uma nova informação sobre o tubarão-mangona, espécie presente em mares quentes do Atlântico, parte do Pacífico e do Mediterrâneo.
A pesquisa, realizada pelo campus da cidade litorânea de Santos, registrou que os animais desta espécie estão se reproduzindo dentro da área protegida do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, reserva marinha localizada no sudeste do país. A atividade nunca havia sido documentada até então.
O método
Através de estéreo-filmagens remotas subaquáticas com isca, tecnologia que permite observar o comportamento dos tubarões sem interferir diretamente, foi possível observar algumas fêmeas da espécie grávidas e outras com marcas de acasalamento.
Os registros conseguiram fornecer dados inéditos que provam a importância do Arquipélago de Alcatrazes como um local fundamental para a alimentação e reprodução do tubarão-mangona, que é classificado como criticamente ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Por meio da mesma metodologia desta pesquisa, com as câmeras remótas, os pesquisadores também conseguiram registrar a presença dos tubarões-mangona durante diferentes épocas nesta mesma área, provando mais uma vez que a área preservada é essencial para a espécie.
Para realizar a pesquisa, a Unifesp contou diretamente com a participação de mergulhadores locais para documentar o comportamento dos tubarões no arquipélago. Além do apoio da Petrobras e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do projeto Mar de Alcatrazes e do programa Biota.
Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes
A região, localizada a cerca de 35 km da costa de São Sebastião, no litoral de São Paulo, foi declarada como Unidade de Conservação em 2016, via decreto presidencial, após décadas de debate e já foi considerada a maior Unidade de Proteção Integral na região Sul/Sudeste.
A área é casa de diversas espécies marítimas e é dedicada a proteção de ambientes naturais e preservação da diversidade biológica do país; a administração do Refúgio é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).