Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas
Agência Brasil
Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas

A Terra Araribóia , localizada no Maranhão e terra natal da ministra dos Povos Indígenas Sônia Guajajara , tem sido palco de aumento da violência desde o ano passado.

Nos dois primeiros meses deste ano, ocorreram dois ataques, resultando na morte de três pessoas, incluindo líderes indígenas e um motorista da Secretaria Especial de Saúde Indígena.

A área é conhecida por ser um local de conflitos desde sua criação na década de 1980.

A Terra Indígena (TI) Araribóia abriga o projeto "Guardiões da Floresta" , em que os indígenas realizam rondas para proteção da área.

Desde 2012, os guardiões têm fechado mais de 70 vias ilegais de acesso à floresta, o que tem despertado a ira dos madeireiros.

Em 2015, um incêndio destruiu metade do território, prejudicando as plantações e afetando a segurança alimentar dos indígenas. Estima-se que quase dez mil indígenas das etnias Tenetehara/Guajajara e Awá-Guajá habitam a TI.

  • No ano passado, ocorreu o sexto assassinato de um guardião, evidenciando a violência enfrentada pelos indígenas na região.

Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) indicam que, nos últimos quatro anos, ocorreram 23 assassinatos de indígenas no Maranhão.

O estado abriga 22 terras indígenas e já desmatou 75% da Floresta Amazônica presente em seu território. Além disso, a destruição se estende também à faixa de transição do cerrado.

As terras indígenas são as últimas áreas de proteção ambiental de florestas no Maranhão. A faixa da Amazônia fica pressionada entre o Pará e o Maranhão, sofrendo pressões de ambos os lados.

No estado, há apenas uma área de proteção federal, a Reserva Biológica do Gurupi (Rebio), que já teve 30% de sua área desmatada e constantemente sofre invasões de criadores de gado e madeireiros.

  • O Maranhão lidera em conflitos e invasões de terra na Amazônia Legal, com 178 registros no ano passado, seguido pelo Pará, Amazonas e Mato Grosso

Os indígenas são as principais vítimas desses conflitos. Além disso, o acesso à água também gera conflitos, com 26 casos registrados no ano passado.

Dentro da TI Araribóia , existem grupos isolados do povo Awá, o que dificulta o registro de mortes e violência contra eles. Um estudo do Greenpeace mostra que os assassinatos de indígenas no Maranhão raramente resultam em punição.

  • Entre 2003 e 2019, foram registrados 57 homicídios, sem que houvesse sentença condenatória relacionada aos casos.

A área é frequentemente invadida por madeireiros que exploram ilegalmente a resina de Almesca e sementes de cumaru.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.  Siga também o  perfil geral do Portal iG.

    Mais Recentes

      Comentários

      Clique aqui e deixe seu comentário!