Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deixou o cargo de ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro (PL) para assumir o governo do maior e mais rico estado brasileiro em 1º de janeiro, completou 100 dias no poder nesta segunda-feira (10).
Durante este período, seu governo enfrentou desafios em duas tragédias, uma crise de mobilidade, algumas mudanças de postura em questões ideológicas e o início das privatizações prometidas.
Entre os principais acontecimentos da gestão Tarcísio estão o desastre decorrente da maior chuva já registrada no Brasil que atingiu o Litoral Norte de São Paulo -- tragédia que resultou em 65 mortes , incluindo 18 crianças , a greve do Metrô, a aproximação com o antigo adversário ideológico Lula (PT) , o aumento no número de mortes causadas pela polícia e uma cirurgia de emergência.
No dia 19 de janeiro, Tarcísio de Freitas enfrentou seu primeiro grande desafio, quando a maior chuva já registrada no Brasil atingiu o Litoral Norte de São Paulo, deixando 65 vítimas, incluindo 18 crianças.
A tragédia resultou na necessidade de lidar com uma série de problemas, como o socorro a vítimas soterradas, busca por desaparecidos, assistência a quem perdeu familiares e casas, além de problemas estruturais, como estradas danificadas e falta de abastecimento de água.
Tarcísio se deslocou para a cidade mais afetada pela tragédia, São Sebastião, onde contou com a ajuda do governo federal - inclusive do seu adversário político nas eleições, Lula (PT) , que agora ele chama de sócio.
O governo de São Paulo liberou estradas, ofereceu abrigo temporário ou permanente para os desalojados e anunciou a construção de moradias populares. Tarcísio destacou o papel da iniciativa privada em promover ações em apoio aos afetados pela tragédia.
Greve no Metrô de São Paulo
Tarcísio enfrentou um grande desafio quando a greve do Metrô se estendeu por mais de um dia, apesar de um acordo ter sido feito entre o governo e os trabalhadores. A razão para isso foi que o governo utilizou uma decisão judicial para não cumprir a promessa de permitir a operação das linhas sem cobrança de tarifas.
Com o fracasso do acordo, os funcionários do Metrô mantiveram a greve e acusaram Tarcísio de recuar no compromisso com a catraca livre. Posteriormente, o estado de São Paulo foi multado pela Justiça por não cumprir o acordo que havia sido firmado.
Privatizações
No início de sua gestão, Tarcísio de Freitas iniciou o cumprimento de sua promessa de campanha de privatizar empresas estatais. A primeira grande concessão ocorreu com a Via Appia , que venceu o leilão para o Rodoanel Norte .
A empresa se comprometeu a investir R$ 3,6 bilhões em 31 anos e gerar uma economia de R$ 1,6 bilhão para os cofres públicos, de acordo com o próprio governador.
Durante o leilão, Tarcísio marcou presença e deu sete marteladas para oficializar o negócio, sendo que uma delas foi tão forte que derrubou parte do logo da B3
, a bolsa de valores de São Paulo, onde o evento ocorreu.
A privatização da Sabesp, uma das promessas de campanha de Tarcísio, foi mencionada algumas vezes nos primeiros 100 dias de sua gestão, como depois da privatização do Rodoanel Norte e em conexão com a despoluição dos rios Pinheiros e Tietê.
O governador espera privatizar a empresa de água pública até o final de 2024 e deve liberar os primeiros estudos para isso ainda no primeiro semestre deste ano.
Tarcísio de Freitas também demonstrou uma mudança em sua atitude em relação a três decisões importantes. Durante as operações de resgate no Litoral Norte, o governador se referiu a Lula como seu "sócio" , apesar de terem sido adversários nas eleições de 2022, nas quais Tarcísio apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro.
Durante uma viagem à Europa para se encontrar com investidores, Tarcísio de Freitas foi forçado a interromper sua agenda devido a uma crise renal que o levou a ser internado por dois dias e passar por uma cirurgia de emergência para remover cálculos renais.
Após escolher um ex-membro da Rota como chefe de segurança pública, Tarcísio enfrentou um aumento de 25% nas mortes cometidas por policiais no primeiro bimestre de sua gestão em comparação com o mesmo período do ano anterior. O secretário de segurança na época, Guilherme Derrite , havia declarado quando era capitão da polícia que um policial bom deveria ter pelo menos três homicídios em seu currículo.
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