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Em meio às falas dos participantes, cartazes com os rostos de mortos e desaparecidos políticos eram levantados

Agência Brasil

Entidades culturais e de direitos humanos fizeram na tarde deste sábado (27) uma ato em frente à antiga sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP), onde hoje funciona o Memorial da Resistência, na região da Luz, no centro da capital paulista. O evento ocorreu um dia após a comemoração do Dia Mundial de Luta Contra a Tortura.

“Hoje no Congresso nós estamos vendo uma tentativa de um pré-golpe. A gente já viveu a ditadura, a gente já viveu a tortura, muitos companheiros desaparecidos, amigos mortos, e a gente não quer ver isso de novo”, disse a presidenta do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Vilma Amaro.

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“Temos que resistir e enfrentar esse Congresso reacionário, que é o principal hoje. Temos de fazer uma grande frente, todos os democratas de todos os partidos. Não é possível que o Congresso discuta a redução da maioridade penal, quando as nossas crianças não têm escolas”, acrescentou.

Participaram também do ato o Espaço Cultura Carlos Marighella, o Levante Popular da Juventude e o Núcleo da Preservação da Memória Política. Em meio às falas dos participantes, cartazes com os rostos de mortos e desaparecidos políticos eram levantados.

“Estamos aqui como uma forma de resistência a um problema que existe em nosso país, que permaneceu desde a ditadura. Nas prisões e presídios, as torturas são práticas comuns. É necessário a gente retomar essa discussão, lembrar a sociedade que houve tortura na ditadura militar, mas que ela ainda permanece”, destacou Sérgio Martins da Cunha, do Espaço Cultura Carlos Marighella.

Para Maurice Politi, ex-preso político, a prática da tortura está mais perto do convívio de cada um do que normalmente a maior parte da sociedade imagina, e ocorrendo nos dias de hoje. “Tem um poema que diz assim: 'Nós sobrevivemos ao pau de arara, mas o pau de arara também sobreviveu'. Quando os jovens vêm ao memorial e perguntam: 'Onde estão os instrumentos de tortura'? A gente responde: 'Eles não estão aqui porque estão na delegacia do seu bairro. Lá vocês podem vê-los na prática'”, disse o ex-preso político.

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