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Segundo o major, a operação deve levar pelo menos dois dias, pois na área vivem 450 famílias, num total de 800 pessoas

Moradores iniciaram por volta das 10h a retirada de seus pertences das casas localizadas no terreno de Brasilândia, zona norte da capital paulista, que passa terça-feira (16) por reintegração de posse. Desde as 6h, a Polícia Militar (PM) acompanha a ação, que teve início tenso, mas não resultou em confronto.

Como forma de resistência, as famílias fizeram um bloqueio com móveis e entulhos na única entrada do terreno, que é todo cercado por muro. Para conseguir acessar o local, os policiais quebraram partes desse muro sob protesto dos ocupantes que revidaram com pedras. Cerca de 150 policiais participaram da ação.

A moradora Paula Rosângela Rodrigues da Silva, costureira, de 37 anos, ficou levemente machucada na perna. Ela disse que sofreu o ferimento durante a quebra do muro. “Eu estava abrindo a minha porta e o cara começou a derrubar. O muro caiu em mim”. O major da PM Hélio Tenório dos Santos negou que Paula tenha se ferido durante a ação. “Ela ficou nervosa e escorregou”, declarou.

Sérgio José dos Santos, zelador, de 45 anos, lamenta por não ter um lugar para morar. “Os moradores limparam aqui [terreno]. Isso era cheio de mato. Antes de vir para cá, eu morava de favor na casa da minha sogra. Agora, não tenho para onde ir. Tenho dó das outras famílias, têm muitas crianças. Aqui era bom porque tem escola aqui perto. Fico triste com isso.”

De acordo com o major, a operação de desocupação do terreno deve levar pelo menos dois dias, pois na área vivem 450 famílias, num total de 800 pessoas. A ocupação está localizada na Rua Augusto do Amaral, na Vila Nina, e pertence à Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab). O espaço foi ocupado em abril de 2014 por integrantes do movimento Frente de Luta por Moradia (FLM). Os moradores construíram pelo menos 300 barracos de madeira e dez casas de alvenaria.

Aparecida Maria de Araújo Félix, da coordenação da ocupação, reclama que o terreno estava abandonado há mais de 30 anos. “Esse terreno aqui era puro mato, tinha prostituição, drogados e povo [vizinhos] aqui não reclamava. Nós temos aqui pessoas que têm deficiência, pessoas que fazem hemodiálise. Nós vamos para a rua, as pessoas que estão aqui não tem onde morar.”

A ordem de reintegração partiu da juíza Cláudia Barrichello, da 1ª Vara Cível do Foro Regional XII – Nossa Senhora do Ó. Segundo o processo judicial, a Cohab tem um projeto habitacional para o local.

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