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Mandantes do crime, que aconteceu no início da semana no bairro do Brooklin, em São Paulo, tinham um caso há 13 anos

A Polícia Civil descobriu que os responsáveis pela morte do empresário Luiz Eduardo de Almeida Barreto, de 49 anos, assassinado na última segunda-feira (1º) próximo à Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, zona sul de São Paulo, são Eliana Freitas Barreto, mulher da vítima, e Marcos Fábio Zeitunsian, seu amante, ambos de 46 anos.

Veja o momento da saída de Eliana Freitas Barreto para o IML:

A mulher, professora de uma escola em Aparecida (SP), e o amante, inspetor de segurança de um shopping de São Paulo, pagariam R$ 7 mil a Elieser Aragão da Silva pela morte de Luiz Eduardo. O dinheiro teria sido depositado na conta de Marcos por Eliana, mas como o executor foi preso no dia da morte do empresário, ele não chegou a receber o valor. Fotos da vítima nos celulares de Zeitunsian e Aragão comprovaram que os suspeitos estavam atrás do empresário.

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Já Zeitunsian foi preso em sua casa em Santana, na zona norte da capital paulista, por volta das 6h desta quarta-feira (3). Eliana foi chamada como testemunha até a 96º DP na manhã de hoje e confessou o crime. Ela será encaminhada para a 89º DP onde ficará presa temporariamente por 30 dias e Marcos também ficará um tempo preso no 77º DP.

Entrevista com o delegado Anderson Pires, titular do 96º Distrito Policial:

Eliana e Zeitunsian teriam começado a se relacionar há 13 anos, quando se conheceram no trânsito de São Paulo e ela já era casada. Eles chegaram a terminar a relação, mas voltaram a se encontrar há dois anos. Enquanto Luiz Eduardo trabalhava em São Paulo durante a semana e ficava em uma casa no Morumbi, na zona sul da capital paulista, ela morava na residência da família em Guaratinguetá com os dois filhos do casal – de 15 e 17 anos – e recebia visitas frequentes do amante quando eles não estavam lá.

De acordo com o delegado seccional Jorge Carrasco, o crime passional teria sido motivado pela vontade da mulher e do amante de ficarem juntos e também de pegarem o dinheiro de Marcos, que era bem sucedido por ser diretor de uma empresa de aplicativos.

Anderson Pires (a direita) e Carrasco (ao centro): mulher demonstrou frieza, disse o delegado
Milena Carvalho/iG São Paulo
Anderson Pires (a direita) e Carrasco (ao centro): mulher demonstrou frieza, disse o delegado

Segundo as investigações, o empresário teria ainda um seguro de vida de R$ 500 mil. Com esse dinheiro, Eliana pretendia montar uma loja para o amante em Guaratinguetá.

O delegado também diz que Eliana aparentou frieza ao confessar o crime. Porém, segundo amigos próximos, ela estava bastante transtornada durante o velório do marido, realizado na tarde de terça-feira (2).

Eliana de Freitas e Marcos Zeitunsian irão responder por homicídio triplamente qualificado e podem pegar até 30 anos de prisão. Eliezer Aragão, além de indiciado por homicídio, também vai responder pelo roubo, por ter simulado para encobrir a intenção real de assassinato.

O crime

Aragão, o assassino, seguiu os passos de Luiz Eduardo por três semanas antes do dia do crime. Na segunda-feira (1º), segundo o delegado do caso Anderson Pires, Eliana e Zeitunsian se comunicaram via WhatsApp momentos antes de Luiz ser morto. O inspetor de segurança teria apontado para a vítima, indicando a Aragão que ele poderia realizar seu trabalho. Na mesma hora, Marcos enviou a seguinte mensagem: "o veículo foi vendido", o que significava que Luiz Eduardo já estava morto.

Eliana Freitas Barreto, mandante do crime, saindo do IML onde fez corpo de delito
Milena Carvalho/iG São Paulo
Eliana Freitas Barreto, mandante do crime, saindo do IML onde fez corpo de delito

Após abordar o empresário e um amigo quando estavam voltando do trabalho próximo a avenida Luís Carlos Berrini como se fosse um assalto, o executor atirou em Luiz Eduardo e saiu em direção à estação Berrini da CPTM e foi pego pela Polícia Militar. De acordo com o delegado, ele confessou o crime e apontou os mandantes.

Aragão já havia sido preso por latrocínio (roubo seguido de morte) e estava em liberdade condicional havia menos de um mês. Atualmente, ele morava em São Miguel Paulista, bairro da zona leste da cidade.

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