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Rede de distribuição perdeu 32,1% da água com falhas técnicas e desvios ilegais em 2012. Índice fica abaixo da média nacional de 38,8%. Amapá, líder em desperdício, tem taxa de 73,3%

Quase um trilhão de litros de água foram desperdiçados pelas redes de distribuição de São Paulo em 2012, de acordo com os dados mais recentes da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado (Arsesp), que fiscaliza a atuação da Sabesp, responsável pelo abastecimento de 27,9 milhões de habitantes de 364 municípios paulistas. O volume corresponde a 32,1% do volume distribuído. Em 2013, a perda foi de 31,2%, mas nem Arsesp nem Sabesp tem dados do volume.

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Buscando formas para não propor racionamento de água neste ano , os dados mostram que em 2012 foram 986,6 bilhões de litros perdidos por conta de falhas na rede de distribuição e por desvios irregulares, popularmente chamados de "gatos". Daria para preencher 263 mil piscinas olímpicas, levando em conta as dimensões das construídas no Parque Aquático Maria Lenk.

O valor é 14 milhões de vezes maior que a quantidade de água usada por cada habitante do Estado por ano - estimado em 66,8 mil litros pelo Sistema Nacional de Informações de Saneamento (Snis) do Ministério das Cidades, em 2011. Por dia, o consumo médio dos moradores de São Paulo é de 183,1 litros de água. 

Veja fotos do sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de SP:

O taxa fica abaixo da média nacional, de 38,8%. A Sabesp afirma que registrou queda de 10 pontos percentuais entre 2004 e 2013, o que representa sobra de água suficiente para abastecer 3 milhões de moradores. A companhia informa ainda que o crescimento desordenado das periferias, especialmente na região metropolitana, prejudica a redução destas perdas. Por lei, é proibido implantar infraestrutura em áreas ilegais. A expectativa, até o final da década, é diminuir a taxa a 19%.

Reduzir o nível de perdas de água na distribuição a 20% "já seria um céu", na avaliação de Édison Carlos, presidente executivo do instituto Trata Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos, a taxa varia em torno de15%. Na cidade de Tóquio, considerada modelo no controle de perdas, é de cerca de 5%. 

O pior cenário do País é visto no Amapá, onde o desperdício era de 73,3% em 2011, segundo o Snis. Em seguida, vem Pernambuco, com 65,7%, e o Acre, com 64,7%. Os melhores resultados estão no Distrito Federal (24,8%), Goiás (31,6%) e Mato Grosso do Sul (31,8%).

Com base nos altos índices de perdas registrados no País, o professor Wilson de Figueiredo Jardim, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, questiona a aplicação de multas para punir o desperdício de moradores. "Quem perde 30% da água que produz, pode moralmente exigir que o consumidor seja punido por desperdiçar água?", diz Lima.

A estratégia foi adotada pelas cidades de Campinas e Valinhos, no interior de São Paulo. O abastecimento na região de Campinas está a cargo da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), que oferece inclusive serviço de telefone gratuito para denúncias de mau uso da água.

Carlos, do Trata Brasil, alega que o combate ao desperdício deve ocorrer em várias frentes, incluindo consumidores e distribuidoras. "A companhia de saneamento tem de fazer a parte dela, mas o cidadão também." Segundo ele, o brasileiro, em geral, é mal preparado para o consumo de água, o que pode ser notado com o uso de água potável para lavar carros e calçadas, por exemplo. 

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