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Na 1ª vez que participam de passeata, policiais treinados em artes marciais imobilizaram manifestantes; 230 foram presos

Escalada pela primeira vez desde o início das manifestações no Brasil, em junho do ano passado, a chamada "tropa do braço" – soldados com treinamento em artes marciais – não esperou o tradicional quebra-quebra promovido pelo black bloc para entrar em ação na manifestação de sábado (22) em São Paulo: antes que qualquer pedra fosse lançada, o grupo se atirou em direção aos manifestantes mais exaltados e os imobilizou, iniciando gritaria, corre-corre e os primeiros tiros com bala de borracha meia hora depois do início da caminhada.

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Uma manifestante foi agarrada pelo pescoço por diversas policiais enquanto outros soldados tentavam esconder o momento em que a garota era jogada no chão. A mesma cena se repetiu por aproximadamente dez minutos na Praça Ramos de Azevedo, no centro, para espanto dos manifestantes, que corriam sem entender o que estava acontecendo.

Ao todo, 230 pessoas foram detidas , de acordo com a Polícia Militar. Parte dos detidos foi liberada, incluindo cinco jornalistas. "Vi prisões de forma arbitrária. Não pudemos acompanhar as revistas e houve agressões à imprensa", afirmou o advogado Igor Leone, que prestava assistência aos manifestantes. Um outro advogado dos garotos, Luiz Guilherme Ferreira, garantiu que a Tropa de Choque lhe tomou o celular das mãos durante as prisões. "Tomei uma gravata", afirmou.

Entre os manifestantes liberados por policiais, estavam uma advogada e três jovens que usavam camisetas vermelhas - dois deles da União Nacional dos Estudantes (UNE). "Mandaram a gente calar a boca, disseram que a gente é de partido político e está fazendo arruaça", disse o colega de Luiz na Unicamp, Guilherme Borges, de 21 anos, que tinha sangue no rosto, mas não estava ferido. "Muitas pessoas caíram uma por cima das outras", detalhou.

A manifestação começou de forma pacífica por volta das 17h na praça da República. Mil policiais foram mobilizados. Eles acompanharam cerca de mil manifestantes, que ocuparam as ruas aos gritos de "Não vai ter Copa", ao som de batucada, e com performances artísticas, em direção à rua Xavier de Toledo. Ali, o confronto começou. Policiais tentaram isolar black blocs. Houve correria e quebra-quebra. Mascarados atacaram agências bancárias. Quebraram vidros e picharam as fachadas. A polícia lançou bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Os integrantes da "tropa do braço" agrediram não só manifestantes, mas também jornalistas.  Segundo balanço da PM, cinco policiais ficaram feridos - e dois dos 230 manifestantes detidos.

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