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BRASÍLIA - Tanto a oposição quanto os governistas, e até o presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), minimizaram o fato de haver uma http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/07/29/mpf_denuncia_juca_por_crime_contra_o_sistema_financeiro_1480405.htmldenúncia por corrupção tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Os colegas de Jucá declararam que não irão cobrar explicações públicas pelo fato de ser ¿um processo antigo¿.


Apesar de normalmente atacarem as suspeitas de corrupção ligadas ao governo, principalmente envolvendo políticos em cargos importantes, os líderes oposicionistas no Senado não quiseram fustigar Romero Jucá ¿ que, ainda por cima, já foi ministro e líder do governo na época do governo Fernando Henrique Cardoso.

Trata-se de um político experiente e tenho certeza que vai saber tratar disso no Senado. Não estou cobrando isso dele. Ele é experiente e sabe o que fazer, elogiou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).

Assim como o tucano, o líder do Democratas (DEM) no Senado, senador José Agripino Maia (RN), disse que não fará críticas e cobranças de explicações por se tratar de um processo antigo contra Jucá.

Se a Justiça não cumprir seu papel, que tem que pedir explicações é o governo, alegou Agripino, para depois acrescentar que não teme que a opinião pública interprete como omissão dos oposicionistas pelo fato de as denúncias se referirem a supostas irregularidades ocorridas no governo anterior, apoiado pelo PSDB e DEM.

Se esses fatos aconteceram, estão no processo judicial e estão em apuração, desconversou Agripino.

O presidente do Senado também procurou isentar sua instituição e apontar a responsabilidade do governo nas cobranças a Romero Jucá. Cabe ao governo decidir se vai aguardar a apuração do Supremo, e, afinal de contas, há todo uma apuração a ser desenvolvida. Não cabe a mim, como presidente do Senado, dizer nada além disso, esquivou-se Garibaldi Alves Filho, admitindo que não deixa de ser uma notícia desfavorável ao Senado.

O líder do PMDB no Senado, senador Valdir Raupp (RO), correligionário de Jucá e um dos principais líderes da base do governo, foi cauteloso e ressaltou que não estava sabendo das últimas notícias sobre a denúncia que tramita no STF.

ÉW muito difícil se posicionar porque a defesa quem tem que fazer é ele [Romero Jucá]. Cabe a ele a defesa. Se ele acha que a acusação não procede, vai apresentar as provas, resumiu Raupp. Segundo ele, não houve ainda conversas entre líderes governistas para avaliar a extensão dos possíveis danos políticos da notícia.

Suposta corrupção

Jucá foi denunciado ao Supremo pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por crime contra o sistema financeiro. Na denúncia, que tramita desde dezembro em segredo de justiça, Souza acusa Jucá de obter de forma fraudulenta, em 1996, um empréstimo de R$ 3,152 milhões do Banco da Amazônia (Basa) à empresa Frangonorte, da qual foi sócio.

Agência Senado
Jucá é alvo de denúncia do MPF
Conforme a acusação, Jucá teria usado imóveis inexistentes como garantia para obtenção do empréstimo e desviado parte do dinheiro para cobrir despesas não-previstas no contrato. A Frangonorte faliu e a Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que o negócio trouxe danos ao erário.

Com as irregularidades, Jucá teria infringido os artigos 19 e 20 da Lei 7.492, de 1986, que embasa a denúncia. A pena para cada uma das irregularidades varia de 2 a 6 anos de prisão e pagamento de multa.

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