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Afirmação é de Benedito Braga, de Saneamento, sobre corte de abastecimento denunciado por dez funcionários da Sabesp

Braga (à esquerda) ao lado do governador Alckmin e do prefeito de SP, Fernando Haddad
Vitor Sorano/iG São Paulo
Braga (à esquerda) ao lado do governador Alckmin e do prefeito de SP, Fernando Haddad

Ao ser questionado sobre os cortes de água denuciados por funcionários da Sabesp , o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Benedito Braga, admitiu que a companhia tem feito "intervenções físicas" em alguns locais. Ele evitou, entretanto, usar a palavra corte.

Na semana passada, o iG revelou, a partir de depoimentos de dez técnicos da Sabesp,  que a companhia tem feito cortes no abastecimento da forma como ocorreriam num rodízio ou racionamento , e não apenas intensificado a redução de pressão nas tubulações, como é o discurso oficial.

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Na segunda-feira (9), a Arsesp - agência reguladora do serviços de saneamento do Estado de São Paulo - pediu explicações à Sabesp , pois não foi comunicada dos cortes denunciados, como prevê a legislação.

Nesta sexta-feira (13), a reportagem questionou Braga, que é presidente do Conselho de Administração da Sabesp, sobre a razão de a população não ter sido informada dos cortes denunciados pelos funcionários, e de que forma ele definiria essa medida.

"O sistema de redução de pressão não é disponível em todos os locais. Então, em alguns locais de fato tem de haver uma intervenção física, que não é telemetrada [ feita a distância ]. Mas isso, digamos, é algo que acontece numa situação de escassez hídrica em que nós estamos fazendo de tudo para que não haja uima situação dessa do rodízio de ficar vários dias sem água", respondeu o secretário.

Braga não informou em quais áreas abastecidas pela Sabesp na Região Metropoiltana de São Paulo (RMPS) os cortes têm ocorrido. Em um evento em 6 de fevereiro, ele afirmou que as Válvulas Redutoras de Pressão (VRPs) cobrem 44% do total. Por essa lógica, 66% da área atendida pela Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) estaria sujeita às "intervenções físicas".

A Sabesp não revela a localização das VRPs.

A fala do secretário também põe em xeque um argumento que a Sabesp vem utilizando para os relatos de falta de água. Segundo a companhia, o desabastecimento decorrente da redução de pressão atinge "bem menos de 1%" dos clientes, que normalmente vivem em locais alto e não possuem caixa d'água".

Pesquisa Datafolha feita entre 3 e 5 de fevereiro revela que 71% dos paulistanos declaram ter sofrido falta de água em algum dia nos 30 dias anteriores ao levantamento.



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