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Ao mesmo tempo aeronaves estavam paradas no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate

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Por causa da falta de organização, doações para as vítimas das chuvas em Teresópolis permaneciam entulhadas a céu aberto e mal protegidas da chuva persistente, até este domingo.

Enquanto isto, diversas aeronaves, em especial as cinco do Exército Brasileiro e outras comandadas pela Força Nacional, estavam paradas no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate. Local de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o campo se transformou em depósito de garrafas de água, comida, material de higiene e roupas que estão sendo doados para as vítimas pela catástrofe. Até o momento, a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil contabiliza 629 mortos. São 285 em Nova Friburgo, 269 em Teresópolis, 56 em Petrópolis e 19 em Sumidouro.

Para justificar a inoperância dos helicópteros do Exército, as autoridades militares argumentam que as péssimas condições meteorológicas impossibilitam os voos. Mas os helicópteros da Polícia Civil - o Caveirão, modelo Bell Huey II, e o menor Esquilo - assim como o Esquilo do Corpo de Bombeiros voaram à vontade, ignorando a chuva que caiu esta manhã. O Caveirão fez dois voos levando mantimentos para pessoas isoladas nas localidades de Santa Rita e Santana, transportando médico, enfermeiros e remédios e resgatando idosos. No início da tarde partiu para mais uma missão: carregado de comida, água mineral, remédios e óleo diesel para fazer funcionar geradores, foi em direção a localidade de Cruzeiro.

Enquanto isto, das cinco aeronaves do Exército - quatro Panteras e um Esquilo - duas só alçaram voo no início da tarde, levando junto o médico do Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio (Core), inspetor Leandro Castro, em direção à Vila Salamaco, onde resgataram uma moça doente mental, de quem os socorristas não tinham nem o nome.

Os próprios soldados que estavam na Granja Comary comentavam entre si o absurdo dos helicópteros permanecerem parados. Segundo um dos recrutas, uma das aeronaves grandes estava há dois dias sem voar, com toda a sua tripulação à disposição. Quem também reclamava muito era o engenheiro Antônio José Fusco, de 42 anos, morador na Granja Comary, que desde quarta-feira estava ajudando a descarregar as aeronaves do Core e dos Bombeiros com os resgatados e a colocar as doações. "É inacreditável ver estes helicópteros parados com tanta coisa para carregar", reclamou. Assim como o empresário da área de navegação, Paulo César Rodrigues, de 58 anos, que durante dois dias pilotou sua camionete Nissan transportando os víveres para as proximidades dos helicópteros e não entendia o porque de o material não ser levado a quem necessita.

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