Em 17 anos, cinco ex-chefes da Polícia Civil do Rio foram presos

O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (15), com a prisão do delegado Marcus Amim durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne

Marcus Amim - ex-secretário da Polícia do Rio de Janeiro preso na 8° fase da operação unha e carne
Foto: Reprodução
Marcus Amim - ex-secretário da Polícia do Rio de Janeiro preso na 8° fase da operação unha e carne



A prisão do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, na quinta-feira (15), elevou para cinco o número de ex-chefes da corporação presos nos últimos 17 anos. Amim foi um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.

Além de Amim, a lista reúne Rivaldo Barbosa, Allan Turnowski, Álvaro Lins e Ricardo Hallak, que foram presos em diferentes investigações desde 2008. Os casos envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução à Justiça e ligação com organizações criminosas.

Na operação da última quinta-feira (15), o Delegado Marcus Amim foi preso preventivamente junto ao ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e outras quatro pessoas. Neste caso a Polícia Federal investiga movimentações financeiras estimadas em R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos para lavar dinheiro do crime organizado.

Antes de assumir a Secretaria de Polícia Civil, Marcus Amim ocupou cargos de comando na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), na Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e na 27ª DP (Vicente de Carvalho).

Outros casos


Rivaldo Barbosa 

Rivaldo Barbosa, comandou Polícia Civil do Rio de março a dezembro de 2018 e foi preso pela Polícia Federal em março de 2024, durante a investigação dos assassinatos da então vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

De acordo com a PF, Barbosa sabia do plano dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão para matar Marielle e teria acordado de não avançar nas apurações sobre o crime .

Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Rivaldo Barbosa a 18 anos de prisão por corrupção e obstrução à Justiça, mas foi absolvido da acusação de participação nos assassinatos. 

Allan Turnowski 

Allan Turnowski, assumiu o comando da Polícia Civil em abril de 2009 e ficou no cargo até março de 2011. Em setembro de 2022 foi preso após investigação do Ministério Público d o Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de integrar uma organização criminosa e de receber propina ligada ao jogo do bicho. 

Segundo as investigações, ele também teria participado de um plano para assassinar o contraventor Rogério Andrade.

Menos de um mês depois, o ministro Nunes Marques, do STF, revogou a prisão em liberdade condicional ao cumprimento de medidas cautelares, incluindo a proibição de acessar repartições policiais .

Em seguida, a Segunda Turma do STF decidiu anular e suspender os atos do processo criminal praticados pela primeira instância. A Corte entendeu que o caso não deveria tramitar na 1ª Vara de Organização Criminosa. Com isso, o processo passou à tramitar no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Em maio de 2025 o   STF restabeleceu a sua prisão preventiva até que, em em agosto do mesmo ano, o STJ concedeu habeas corpus e determinou sua soltura, com medidas cautelares. 

Álvaro Lins 

Do grupo, Álvaro Lins foi o que permaneceu por mais tempo no cargo. Ele foi chefe da Polícia Civil de novembro de 2000 a março de 2006 e preso em 2008, quando exercia o mandato de deputado estadual. 

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Lins teria utilizado a estrutura da Polícia Civil para praticar crimes como corrupção lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, corrupção passiva e facilitação ao contrabando.

O ex-chefe da corporação foi condenado a 28 anos de prisão por chefiar a organização criminosa, mas acabou solto em 2009. Em outubro de 2024, foi reintegrado à Polícia Civil.

Ricardo Hallak 

Ricardo Hallak  sucedeu Álvaro Lins no cargo em 2006 e ficou até o início de 2007. Em 2008, foi preso pela Polícia Civil durante a Operação Segurança Pública S/A. Ele foi denunciado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Hallak acabou condenado a cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva. 

Durante as investigações, a Polícia Federal monitorou conversas telefônicas entre integrantes do grupo investigado. Em uma das gravações, Hallak aparece articulando represálias contra uma delegacia que não participava de um esquema de pagamento de propina.

Em 2020, a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa para tentar reduzir a pena.

Hallak morreu em novembro de 2023 vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).