
A Polícia Civil do Rio de Janeiro
deflagrou, nesta terça-feira (22), a Operação Icarus, que mira um dos principais canais de fornecimento de drogas da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
A ação cumpre mandados em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento seis pessoas já foram presas
.
Entre os detidos está Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, apontado pela investigação como fornecedor de entorpecentes e articulador central da estrutura. Segundo a Polícia Civil, ele mantinha ligação direta com as principais lideranças do Comando Vermelho para organizar o abastecimento das comunidades dominadas pela facção.
Investigação começou com anotações de "My Thor"
A investigação nasceu após a apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como “My Thor”, uma das lideranças do Comando Vermelho, preso desde 2021.
Nos registros encontrados, os investigadores identificaram parte da contabilidade do tráfico que indicavam pagamentos realizados por “My Thor” a uma pessoa identificada como “Boss”.
A partir dessa informação, os policiais passaram a investigar a atuação de Laércio. Segundo a Polícia Civil,
era ele quem negociava as cargas de drogas, organizava fretes e pagamentos, além de coordenar operadores logísticos e usar pessoas para lavar o dinheiro da atuação criminosa.
O iG tentou, mas não conseguiu localizar a defesa de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior.
Cargas de drogas ligadas ao esquema
Duas grandes apreensões de drogas recentes foram relacionadas pelos investigadores a atuação do “Boss”.
A primeira no dia 2 de fevereiro de 2024, quando foram apreendidos 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, em São Paulo. Já a segunda, aconteceu em 31 de maio do mesmo ano, com outros 73,8 quilos de cocaína retidos em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio.
Esquema movimentou mais de R$ 70 milhões
No braço financeiro da organização, os investigadores identificaram operações consideradas atípicas envolvendo pessoas investigadas e empresas que poderiam ter sido utilizadas para ocultar valores.
As movimentações comunicadas às autoridades somam R$ 70.497.597 em um curto período.
Operação segue

Além dos mandados de prisão, a Operação Icarus cumpre mandados de busca e apreensão e outras medidas judiciais para localizar aparelhos eletrônicos, documentos, valores, veículos e outros elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.
A operação segue e é realizada por policiais do Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC/CGPOL) e da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Ministério Público, da Corregedoria da Polícia Militar, da Polícia Penal e das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.