Justiça anula quebra de sigilo de celular apreendido com Jairinho

Decisão da 7ª Câmara Criminal considerou que a Vara responsável não tinha competência para autorizar a medida durante a execução da pena

O médico e ex- vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho
Foto: Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O médico e ex- vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho

A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) anulou, por unanimidade, a decisão que havia autorizado a quebra de sigilo e a extração integral dos dados de um celular encontrado na cela de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, condenado pela morte de Henry Borel, de 4 anos.

O aparelho foi apreendido no dia 1º de julho, durante uma revista no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. O celular estava dentro de uma pasta posicionada acima da cama utilizada pelo ex-vereador, em uma cela coletiva.

Dois dias depois, o Ministério Público do Rio (MPRJ) pediu a quebra do sigilo e a extração completa do conteúdo do aparelho. A medida foi autorizada pela 2ª Vara Criminal da Capital.

A defesa de Jairinho recorreu da decisão e alegou que a Vara não tinha competência para autorizar a medida, já que o celular havia sido encontrado depois do julgamento pelo Tribunal do Júri e durante a execução da pena.

Decisão do TJRJ

Os desembargadores da 7ª Câmara Criminal entenderam que eventuais fatos novos ocorridos dentro do sistema prisional,  após o julgamento, devem ser analisados pelas autoridades responsáveis pela execução penal.

Com isso, a decisão que autorizava o acesso aos dados foi anulada. O TJRJ também determinou que não sejam realizados novos acessos, extrações, análises ou utilizações das informações obtidas com base na autorização.

O celular e a cadeia de custódia do aparelho deverão ser preservados. O telefone deve voltar à guarda da 34ª DP (Bangu).

A decisão,  no entanto, não impede que um novo pedido de quebra de sigilo seja apresentado. Nesse caso, a solicitação deverá ser encaminhada ao juízo competente, que vai analisar de forma independente a necessidade e a extensão da medida.


Relembre o caso Henry Borel

Henry Borel, menino morto com diversas lesões no corpo
Foto: Reprodução/ Correio Braziliense
Henry Borel, menino morto com diversas lesões no corpo


Henry Borel, na época com 4 anos, foi levado pela mãe, Monique , e pelo padrasto, Jairinho, para um hospital da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na madrugada de 8 de março de 2021, com  manchas roxas em várias partes do corpo.

Imagens divulgadas posteriormente mostram o menino sendo carregado já sem vida no elevador do prédio em que Monique morava com Jairinho. Segundo o laudo de necropsia, Henry sofreu 23 lesões na madrugada em que morreu.

Segundo o especialista, a causa da  morte de Henry é homicídio por espancamento, de acordo com o conjunto de provas técnicas.