Após cerca de 9 horas de julgamento, os jurados do 1º Tribunal do Júri da Capital condenaram o terceiro acusado de participar da morte do congolês Moïse Kabagambe.
Foto: Brunno Dantas/TJRJ
Após cerca de 9 horas de julgamento, os jurados do 1º Tribunal do Júri da Capital condenaram o terceiro acusado de participar da morte do congolês Moïse Kabagambe.

quiosque O Conselho de Sentença do 1º Tribunal do Júri da Capital condenou, após nove horas de julgamento, na noite a última quarta-feira (15), o lutador de jiu-jítsu Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, a 18 anos e oito meses de prisão, em regime fechado. O júri considerou o réu culpado por homicídio triplamente qualificado do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, morto em janeiro de 2022, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.


A sentença, proferida pela juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, reconheceu que o crime foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo o Ministério Público, Moïse foi espancado por  cobrar o pagamento de diárias atrasadas no quiosque  onde trabalhava.

Vítima sofreu imobilização e agressões por quase 13 minutos

Moïse Mugenyi Kabagambe
Reprodução
Moïse Mugenyi Kabagambe


Durante o julgamento, a magistrada destacou que Brendon imobilizou Moïse por 12 minutos e 40 segundos, permitindo que outros agressores o atacassem com socos, chutes e golpes com um taco de beisebol.

A juíza chegou a se referir que a vítima foi tratada “como se fosse um animal peçonhento”, sem qualquer chance de reação. Ela também destacou que o réu em nenhum momento  agiu para interromper a violência.

Imagens de câmeras de segurança exibidas no plenário reforçaram a brutalidade do crime. Os vídeos mostram por exemplo o momento em que Brendon faz um gesto de “hang loose” enquanto Moïse  estava caído e amarrado. De acordo com a acusação, foram contabilizados ao menos 37 golpes.

O Ministério Público também destacou que, durante as agressões, o quiosque continuou funcionando normalmente com venda de bebidas.

Julgamento durou nove horas 

O julgamento começou por volta das 11h30 e se estendeu por cerca de nove horas. Durante os debates, iniciados na parte da tarde, o Ministério Público apresentou áudios enviados pelo réu após o crime, além de vídeos que, segundo a acusação, comprovam sua participação direta na execução.

Vítima foi agredida sem chances de reação
Reprodução
Vítima foi agredida sem chances de reação


Testemunhas ouvidas ao longo do dia apresentaram suas versões sobre o ocorrido. A responsável por um quiosque vizinho afirmou inicialmente ter ouvido gritos durante as agressões, e depois disse ter escutado relatos de que Moïse estaria descontrolado.

Já o dono do quiosque onde ocorreram as agressões negou que tivesse dívidas com a vítima, embora tenha admitido que ela parecia alterada no dia do crime. O gerente do estabelecimento relatou que Moïse foi agredido e amarrado, e justificou não ter pedido ajuda ao afirmar que estava sem telefone no momento.

Um vigilante que trabalhava na região disse ter pedido para que as agressões parassem e afirmou que a intenção do grupo seria conter Moïse  apenas até  acionar a polícia.



Defesa nega intenção de matar e fala em contenção

Durante a sessão a defesa tentou desclassificar o crime de  homicídio triplamente qualificado para lesão corporal seguida de morte, argumentando que o réu não teve intenção de matar. Segundo os advogados, Brendon  só agiu para conter uma confusão e não utilizou técnicas de jiu-jítsu com o objetivo de ferir a vítima.

Durante o interrogatório, o próprio réu confirmou que amarrou Moïse, mas negou a intenção de matar, afirmando que tentou prestar socorro ao perceber que a vítima havia desmaiado.

A promotoria, no entanto, sustentou que a tentativa de socorro foi simulada e ocorreu apenas após a aproximação de testemunhas.

Outros envolvidos já haviam sido condenados

Brendon foi o terceiro e último executor direto julgado pelo crime. Em março de 2025, a  Justiça já havia condenado Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca a 23 anos e sete meses de prisão, e Fábio Pirineus da Silva a 19 anos e seis meses.


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