Casarão de 1915 onde funcionou o restaurante À Mineira em Botafogo está sendo demolido
Divulgação
Casarão de 1915 onde funcionou o restaurante À Mineira em Botafogo está sendo demolido


O Rio está prestes a perder mais um de seus casarões centenários. Construído em 1915, o palacete localizado no número 153 da Rua Visconde Silva, em Botafogo, começou a ser demolido nessa segunda-feira (1º) para dar lugar a um prédio residencial. A fim de impedir que a destruição aconteça, um grupo de moradores e representantes da sociedade civil realizou, nesta terça-feira, uma manifestação em frente ao prédio.

A antiga construção, onde funcionava o Restaurante À Mineira, ficou conhecida, sobretudo, por ter sido durante mais de 40 anos sede do restaurante Maria Thereza Weiss. O imóvel foi comprado pela construtora niteroiense Soter e, por não ser tombado, teve sua demolição autorizada pelo Conselho Municipal Proteção do Patrimônio Cultural.

Daniel Sampaio do perfil Rio Antigo (com 193 mil seguidores no Instagram) informou que vai entrar nesta terça-feira com uma liminar para tentar o embargo da demolição. Outro ato havia sido realizado na segunda-feira. Os dois foram transmitidos ao vivo pelo @rioantigo.

Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), explica que apesar de a destruição já ter começado, a empresa responsável, por enquanto só derrubou uma construção nova, estando o prédio original intacto, e que a expectativa é que com a manifestação popular a demolição do imóvel centenário não aconteça.

"A prefeitura tem mais elos com o mercado imobiliário do que com o patrimônio", critica Regina.

Também participaram das manifestações José Marconi, do SOS Patrimônio; a Associação dos Moradores do Alto Humaitá (AMAH) e o perfil no instagram Viver Botafogo.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria municipal de Planejamento Urbano (SMPU) informou que, mesmo o imóvel não sendo tombado ou preservado, por ser uma construção anterior ao ano de 1938, intervenções precisam ser autorizadas pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), que emitiu a autorização. A secretaria explicou que as áreas de Botafogo e Humaitá já foram estudadas a fundo para efeitos de proteção, e o imóvel em questão não foi incluído nas Áreas de Proteção ao Ambiente Cultural desses dois bairros. A prefeitura acrecentou que uma Portaria do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural dá respaldo para que áreas amplamente inventariadas e com Apacs estabelecidas não precisem de análise do conselho para demolições, podendo o órgão de patrimônio deliberar sobre o caso.

A SMPU ressaltou que os bairros de Botafogo e Humaitá passaram por vistorias e estudos do Departamento Geral de Patrimônio Cultural da então Secretaria municipal das Culturas, quando da elaboração das Apacs, sendo a de Botafogo estabelecida em 2002; e a do Humaitá, em 2006, e que a Apac de Botafogo foi revisada quatro vezes ao longo dos anos para incorporações de bens, não tendo sido o imóvel da Rua Visconde Silva 152 incluído na lista. A secretaria acrescentou que o bairro é o que mais tem imóveis protegidos em toda a cidade, depois do Centro. A Apac tombou quatro estátuas, um busto e um viaduto, além de 259 imóveis. Outros 568 imóveis foram classificados como preservados na região.

Já a Apac do Humaitá tombou o imóvel do Colégio Pedro II, além de criar uma área de proteção no entorno do bens de números 70 e 80 do Largo dos Leões e a estátua Harmonia, já tombados pelo Poder Público Municipal anteriormente. A Apac também classificou como tombados 24 imóveis, e, como preservados, outros 293 no bairro.


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