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Titular da 27ªDP (Vicente de Carvalho), Felipe Curi afirma que fim da revista íntima facilita ações de criminosos nas prisões

Elias Maluco cumpre pena no presídio federal de Campo Grande (MS)
Paulo Alvadia / Agência O Dia
Elias Maluco cumpre pena no presídio federal de Campo Grande (MS)

Nos oito meses de investigação que culminou na "Operação Overload", que está sendo realizada nesta terça-feira, a Polícia Civil identificou que alguns dos principais traficantes do Estado seguem no comando de suas respectivas quadrilhas, mesmo estando presos. Segundo o delegado Felipe Curi, da 27ªDP (Vicente de Carvalho), o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Luís Cláudio Machado, o Marreta, seguem dando ordens, apesar de cumprirem penas em presídios federais.

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O delegado garantiu que os traficantes presos dão ordens para outros detentos que estão no Complexo de Gericinó, em Bangu. Ele explicou como acontece o processo. "Eles (os chefes do tráfico) atuam através de pessoas que estão fora da cadeia e algumas que estão presas aqui no Complexo de Bangu. No presídio federal é através dos visitantes. Mas nos presídios no Rio são através de pessoas também, mas, principalmente de telefones", disse o delegado, em entrevista para a CBN , criticando a fiscalização nos presídios do Rio.

"O que a gente verificou é a facilidade com que os visitantes desses presos tem para entrar nos presídios com celulares e até drogas. Eles têm essa facilidade por conta de uma técnica que não passa pelo Raio-X e até mesmo pelo fim da visita íntima", completa.

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O delegado aponta que Marcinho VP é ajudado pelos traficantes Fu e Claudinho da Mineira, que estão no Complexo do Chapadão, em Costa Barros. Já Elias Maluco atua através de um traficante que cumpre pena em Bangu. De acordo com as investigações, em algumas regiões, por exemplo, os criminosos tiveram um lucro de R$ 7 milhões por mês.

"Isso (lucro) só em três municípios da Baixada (São João de Meriti, Nova Iguaçu e Belford Roxo). Essas bocas de fumo dessas localidades são do traficante Elias Maluco, são administradas pelo traficante Criã, que está em Bangu. Ele coloca pessoas para trabalharem lá na comunidade. Ele controla toda a contabilidade e repassa o lucro para a família de Elias Maluco", disse o delegado, explicando como os traficantes lucram com a venda da cocaína.

"Eles adquirem um quilo de cocaína pura por cerca de R$ 14 mil. Após essa droga ser trabalhada, embalada, colocada para venda, o faturamento total gira em torno de R$ 64 mil. Ou seja, R$ 50 mil de lucro, cerca de 350%. Então a margem de lucro é muito grande", completa.

Mais de 20 mandados de prisão foram cumpridos

O delegado disse que os criminosos abriram empresas falsas para poder movimentar o dinheiro. "Ao longo do nosso trabalho nós identificamos inúmeras contas bancárias. Foram presas pessoas que atuam realizando essas movimentações financeiras do tráfico. Identificamos inúmeras contas de empresas de fachadas para fazer essa movimentação financeira que é muito alta", afirma.

A megaoperação que está sendo realizada nesta terça-feira tem como objetivo cumprir 65 mandados de prisão. Desses já foram cumpridos 26. Ele afirmou que os criminosos trazem as drogas de fora do Rio, endolam em comunidades que ainda não passaram pelo processo de pacificação e depois fazem a distribuição pelo Estado.

"Elas (as drogas) chegam em comunidades que não tem UPP, como Chapadão. Caramujo (Niterói) e Salgueiro (São Gonçalo)", diz.

Felipe Curi afirma que o balanço da operação é positivo: "O importante é que essa investigação identificou a forma pela qual esses traficantes atuam. É uma investigação muito rica, mas não termina aqui. Vamos continuar a investigação para identificar e prender outras pessoas", garante.

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