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Nathália Labanca Bescow, de 27 anos, reagiu ao assalto e acabou sendo ferida por outro menor

A figurinista Nathália Labanca Bescow, de 27 anos, se tornou a 15ª vítima de ataques a faca em ações criminosas no Rio nos últimos 15 dias. Ela foi assaltada e ferida por três menores no fim da tarde desta terça-feira, quando andava na Avenida Maracanã, na altura da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Segundo ela, um dos criminosos seria um menino de 8 anos de idade. Ela levou quatro pontos na mão esquerda e cinco no abdômen, e ainda teve o telefone celular e a carteira roubados.

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Natalia foi esfaqueada na tarde de terça-feira
O Dia
Natalia foi esfaqueada na tarde de terça-feira

De acordo com Nathália, que vinha de Del Castilho, na Zona Norte, ela havia soltado na estação Maracanã do metrô e seguia a pé pela Avenida Maracanã para a casa da mãe, em Vila Isabel, por volta das 17h30. Ao pegar o celular no bolso do casaco junto com a carteira para atender a uma ligação, acabou golpeada com uma faca na mão esquerda. Após o roubo, ela instintivamente reagiu correndo atrás do agressor, um menor de cerca de oito anos de idade.

Ainda segundo a vítima, atrás dela dois menores, como idades entre 13 e 16 anos, que seriam comparsas do menino, a surpreenderam. Ela foi novamente golpeada na barriga. O trio fugiu levando os pertences dela. Só após a confusão ela percebeu que tinha sido ferida à faca na mão e na barriga. A estilista ainda caminhou até a altura do Shopping Tijuca, mas acabou desmaiando. Ela foi socorrida por bombeiros e levada para o Hospital do Andaraí, na região.

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"Minha mãe disse que eu não devia ter reagido. Agi instintivamente e corri atrás do garoto, que não devia ter mais do que oito anos. Depois fui novamente surpreendida pelos outros dois que estavam com ele e me atacaram por trás. A gente vê esses casos de esfaqueados acontecendo, mas nunca pensa que vai acontecer com a gente", disse a jovem no início da madrugada, após deixar o Instituto Médico Legal (IML), onde foi fazer exame de corpo de delito, na companhia da mãe e do tio. Ela sofreu cortes superficiais. O caso foi registrado na 19ª DP (Tijuca).

Prisão de esfaqueador do trem

Michael Douglas foi preso na casa da avó
Divulgação
Michael Douglas foi preso na casa da avó

O ataque a figurinista Nathália Bescow ocorreu no mesmo dia em que policiais da 56ª DP (Comendador Soares) prenderam Michael Douglas Gonçalves da Silva, de 19 anos, na casa da avó, em Comendador Soares, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele confessou à polícia que estava sob efeito de drogas quando esfaqueou o estudante do Colégio Pedro II, Pedro Arthur Britto Santa Cruz, 18, sábado, dentro de um vagão de trem da SuperVia. Ainda segundo o acusado, ele precisava de dinheiro para pagar a ultrassonografia da namorada, que está grávida, e por isso assaltou o jovem.

Michael vinha sendo monitorado desde segunda-feira. A foto dele fugindo da estação foi divulgada pela polícia na véspera. “Ao ver que sua foto foi divulgada, ele disse que ficou atordoado. No domingo, perambulou pelas ruas do Centro. E só à noite foi para a casa da avó”, disse a delegada Cristiane Almeida, da 24ª DP (Piedade). “Ele confessou o crime e que o fez por desespero porque precisava pagar a ultrassonografia da namorada. No dia do crime estava sob os efeitos de cocaína. Mas não acredito que ele roube para sustentar o vício, mas sim para ostentar”, ressaltou a delegada.

O estudante Pedro Arthur recebeu alta do Hospital Salgado Filho, no Méier, onde estava internado, horas após a prisão de Michael. A facada que atingiu o braço do rapaz acertou um nervo e uma veia. O estudante ficará durante um tempo sem sensibilidade no polegar, no indicador e no dedo médio da mão esquerda.

Pedro estava dentro do vagão quando Michael tomou seu celular e o golpeou. A vítima, que perdeu muito sangue, foi socorrida por um passageiro. O acusado fugiu correndo pela estação Piedade, mas foi filmado por câmeras de segurança.

Reviravolta no Caso Jaime Gold

Ainda na terça-feira, outro caso de vítima esfaqueada sofreu um reviravolta. O jovem W. se entregou na 25ª DP (Engenho Novo) durante a madrugada, alegando que foi ele quem atacou o médico cardiologista Jaime Gold, que morreu após ser esfaqueado em um assalto na Lagoa Rodrigo de Freitas, em maio. Em depoimento, o menor inocentou o primeiro adolescente apreendido, que desde o início se disse inocente. A Delegacia de Homicídios (DH), inclusive, já havia considerado o caso encerrado, mesmo com dúvidas levantadas pela defesa do suspeito sobre as provas.

Na época da detenção, que segundo os policiais aconteceu três horas após terem assumido o caso, o titular da DH, delegado Rivaldo Barbosa, disse não ter dúvidas sobre a participação de adolescente no caso. Ontem, o delegado Giniton Lages — que deu entrevista porque Rivaldo tirou férias — admitiu que pode ter um inocente entre os três suspeitos.

“Vamos fazer uma acareação e o caso não está encerrado”, afirmou, contrariando a declaração anterior do chefe. “Precisamos reavaliar todo o procedimento, apesar de termos seguido os protocolos. Polícia séria trabalha com informação”, concluiu Giniton.

No depoimento, W. alegou que ele e o segundo menor apreendido estavam de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas, e abordaram Jaime Gold. Ele contou que o responsável por dar as facadas foi o comparsa. E disse ainda que o primeiro menor apreendido sequer estava no bairro no momento do crime.

Aos policiais, W. teria dito que se entregou por medo de morrer, já que estaria sendo ameaçado por traficantes da Favela do Jacarezinho, na Zona Norte, onde mora.

Prevenção ao roubo de bike

A Alerj aprovou também na terça-feira, por unanimidade, projeto de lei que cria o sistema estadual de prevenção ao roubo e ao comércio ilegal de bicicletas. Na prática, a medida vai tipificar o crime de roubo de bicicleta, que será acompanhado pelo Instituto de Segurança Pública, possibilitando melhorar a prevenção e investigação. O projeto segue agora para a sanção do governador Luiz Fernando Pezão.

“A bicicleta é um produto rentável. É preciso saber quem são os receptadores, para onde elas vão depois de roubadas. Há também a questão do desmanche, com a venda de peças”, afirmou Martha Rocha.

Também no mesmo dia, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, se envolveu em uma polêmica com a SuperVia ao negar que a PM faça patrulhamento nas estações, conforme disse a concessionária.

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