Tamanho do texto

RIO DE JANEIRO - A Polícia Militar (PM) fechou na tarde desta quinta-feira a estação ferroviária da Central do Brasil, principal do Rio de Janeiro, para dispersar passageiros que protestaram e estariam causando tumulto no local. Foram disparados tiros de arma não-letal e gás de pimenta. A confusão ocorreu um dia depois de um http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/10/07/trem+pega+fogo+na+baixada+fluminense+8764159.html target=_toptumulto na estação Nilópolis.


De acordo com a concessionária SuperVia, uma pane em um trem vazio, às 16h06, provocou a interrupção da linha da Central do Brasil, de onde partem os trens de cinco ramais ferroviários. Com isso, os trens teriam passado a partir de São Cristóvão e houve um princípio de tumulto na estação Central do Brasil.

AE
Polícia Militar tenta conter o tumulto na Central do Brasil
Um passageiro afirmou que, por volta das 16 horas, começou a haver demora no embarque. Uma mensagem pelo serviço de alto falante informou que o tráfego na estação só seria retomado às 19 horas. Os usuários teriam se revoltado e chegaram a quebrar vidros.

A SuperVia afirma que acionou, então, a PM para fechar o acesso à estação e evitar o acúmulo de pessoas.  O prédio foi cercado por um cordão de segurança do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que voltou a jogar gás de pimenta para tentar controlar a multidão. Durante o tumulto, passageiros protestavam contra o fechamento da estação, aos gritos de "Uhu! Vamos invadir"

Ainda segundo a concessionária, o dinheiro das passagens foi devolvido e o acesso à estação foi reaberto às 17h40. Mas somente às 18h40 todos os ramais voltaram a funcionar normalmente.

Metrô

De acordo com o Metrô do Rio, foram suspensas temporariamente a venda dos bilhetes de integração Metrô/SuperVia. A concessionária está ainda permitindo o retorno gratuito à estação daqueles passageiros que tinham o bilhete de integração e desembarcaram do metrô para pegar o trem. Também em função do problema na SuperVia, a Estação Estácio do metrô está com fluxo maior de passageiros e, por questões de segurança, o acesso à plataforma de embarque no  sentido Pavuna  está sendo controlado pelos agentes da empresa.

Manhã tranquila

O clima era de tranquilidade nas estações do ramal de Japeri ¿ que liga a Baixada Fluminense ao centro da cidade do Rio de Janeiro ¿, na manhã desta quinta-feira, um dia após o tumulto que ocorreu nesta quarta-feira .

Na estação de Nilópolis, as cinco roletas que foram arrancadas durante o tumulto foram substituídas logo cedo. Cerca de dez policiais cuidaram da segurança do local durante toda a manhã.

A SuperVia permitiu o embarque gratuito de passageiros das 16 estações do ramal de Japeri até as 10 horas, como forma de ressarcir os passageiros prejudicados ontem.

Marcos Arcoverde/AE
Policiais do Batalhão de Choque ocupam a linha férrea no Rio na manhã desta quarta-feira (08/10)

A universitária Wanderléia Araújo dos Santos, que usa o trem para ir trabalhar e estudar, chamou o sistema ferroviário de caótico, mas disse que quebrar o que é de uso do próprio passageiro é "pouco inteligente". Não adianta nada. Só o passageiro é que sai prejudicado.

O governador Sérgio Cabral e prefeito Eduardo Paes também condenaram as ações, que classificaram de vandalismo. O governador disse que já pediu para que a polícia identifique e prenda os envolvidos nos saques e no incêndio nos vagões.

A confusão aconteceu depois que um trem que fazia o percurso Japeri-Central do Brasil enguiçou por volta das 7h de ontem, a 100 metros da estação. Segundo a Supervia, a companhia fez o reparo da composição em 20 minutos, mas um grupo de passageiros forçou as portas e desembarcou na via férrea, paralisando os serviços em todo o ramal.

Assista ao vídeo sobre o protesto desta quarta-feira:

Leia mais sobre: tumulto