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Os governos ocidentais cada vez mais estão reticentes em censurar ou fechar os sites extremistas porque estes são autênticas minas de ouro em termos de informação para os serviços de inteligência, segundo especialistas reunidos em Madri.

"Quase todos os governos ocidentais pensam da mesma forma: que vale mais vigiar estas páginas que tentar fechar tudo na internet", explicou à AFP Peter Neumann, diretor do International Center for the Study of Radicalisation and Political Violence (ICSR), com sede em Londres.

Os sites e fóruns de radicais, em particular os jihadistas, são fundamentais para os serviços de inteligência, segundo Raphael Perl, da Unidade Ação contra o Terrorismo da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Para Mike Smith, diretor executivo do Comitê Contra o Terrorismo da ONU, os sites são uma "janela para as operações dos terroristas".

Fechar ou restringir o acesso às páginas extremistas seria caro e contraproducente, afirmou.

Segundo Neumann, esta estratégia representa outra vantagem: os terroristas, que se sabem vigiados, tendem a evitar a comunicação pela internet, o que os dissuade de continuar realizando certas atividades.

No entanto, segundo Perl, cada vez mais grupos extremistas, entre eles a Al-Qaeda, aplicam medidas para dissimular suas atividades na rede, utilizando, por exemplo, o sistema de mensagens codificadas.

Neumann aconselhou ainda que perseguir os responsáveis pelos sites quando estes se mostrarem muito agressivos ao invés de ir contra a página em si, que, no geral, estão situadas em países como os Estados Unidos, onde se garante a liberdade de expressão.

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