Paciente não consegue transferência devido à superbactéria

Família tenta há três dias levar estudante operada de AVC para UTI; hospital admite falta de estrutura e redução de vagas

Fred Raposo, iG Brasília | 22/10/2010 18:55

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Foto: Fellipe Bryan Sampaio

Familiares que tentam há três dias transferir estudante do Hospital de Base exibem documentos da Secretaria de Saúde que mostram que há vagas em outros hospitais

Desde a madrugada da última quarta-feira, a mãe e os tios da estudante Vanessa Vieira de Souza, 21 anos, lutam contra o tempo na frente do Hospital de Base (HBDF), em Brasília. Sem vagas na UTI do HBDF, a família tenta transferir Vanessa, operada de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), para outros hospitais. Mas, segundo os parentes da estudante, as instituições não aceitam receber pacientes do HBDF.

O motivo, diz a família, é que os hospitais temem receber pacientes com risco de contaminação da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase). Em Brasília, foram confirmadas 18 mortes atribuídas à infecção pela KPC. A maior parte das vítimas eram pacientes internados em UTI.

“Eles atendem normalmente, mas, quando falamos que a Vanessa está internada no Hospital de Base, mudam completamente. Dizem que não podem aceitar pacientes por causa do surto da superbactéria”, afirma a cabeleireira Rosileide Vieira de Souza, 31 anos, tia da estudante.

Um dos hospitais que poderia receber a paciente, o Santa Maria, admite falta de estrutura e redução de vagas de internação na terapia intensiva por causa da superbactéria.

Vanessa não foi contaminada pelo KPC. Internada na última segunda-feira no HBDF, ela passou por uma operação que durou entre 19h30 de terça-feira e 1h30 da madrugada seguinte. Informada da falta de espaço na UTI do HBDF, a família recorreu a outros cinco hospitais de Brasília. Sem sucesso.

Rosileide conta que Vanessa está internada em uma sala de recuperação, no 2º andar do HBDF. “Não nos deixam ver a menina”, reclamou a tia da estudante. “A médica disse que ela está deitada, com o crânio aberto. Precisa ser transferida com urgência para uma UTI”.

Após conversar com parentes de outra paciente que buscava internação no Hospital Santa Maria, a família de Vanessa obteve documento da Central de Regulação de Internação Hospitalar (CRIH), ligada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, informando que o hospital dispunha de sete vagas na UTI.

No documento, com data de hoje, enviado à Defensoria Pública do Distrito Federal, a secretaria alega, contudo, “impossibilidade em receber novos pacientes por determinação da superintendência do hospital”.

Faltam recursos e insumos

O Santa Maria admite que o surto da superbactéria causou a redução de leitos. A gerente de enfermagem do hospital, Christiane Braga, explica que a UTI tem 29 vagas para adultos. Destas, 18 são reservadas a pacientes expostos à superbactéria, sendo que 12 estão ocupadas e seis foram bloqueadas pela Vigilância Sanitária.

“Não existe essa orientação (de recusar pacientes como a Vanessa)”, ressaltou Christiane. A gerente assinalou que, dos outros onze leitos reservados a internações, quatro estão desocupados. Segundo o hospital, até ontem não fazia admissões para essas vagas por falta de insumos.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Santa Maria atribuiu a ausência de medicamentos à falta de repasses da Secretaria de Saúde para compra de materiais. A assessoria explicou, contudo, que o hospital recebeu hoje R$ 11 milhões da secretaria e já normalizou o atendimento.

A Secretaria de Saúde afirmou, por meio de nota, que as medidas de prevenção para o controle da bactéria KPC “estão sendo feitas em todos os hospitais”, inclusive no Santa Maria. Porém, negou que Vigilância Sanitária tenha interditado leitos na rede de saúde do DF. Procurada, a assessoria de imprensa do HBDF não atendeu telefonemas da reportagem.

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