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Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) montaram acampamentos na manhã de hoje em duas fazendas na região da Alta Paulista, no oeste do Estado. Os sem-terra ocuparam a entrada das fazendas Santa Clara, com 1,4 mil hectares, no município de Arco Íris, e Santo Antonio, com 968 hectares, em Dracena.

De acordo com o líder Sérgio Pantaleão, as áreas foram vistoriadas e consideradas improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Vamos pressionar para que o Incra acelere o processo de desapropriação e assentamento das famílias", disse.

Os sem-terra não chegaram a invadir as propriedades, embora controlem o acesso às fazendas. De acordo com Pantaleão, as áreas não foram invadidas para não haver risco de confronto em ano pré-eleitoral. "Ano que vem tem eleição e não queremos causar problema para o presidente Lula", afirmou. Os grupos são ligados a José Rainha Júnior, dissidente do MST nacional e defensor do presidente, que deve visitar a região no final deste mês. De acordo com Pantaleão, a estratégia dos sem-terra será permanecer na entrada das fazendas até que o Incra consiga a imissão de posse das terras. "Como não houve ocupação, os donos não podem pedir a reintegração de posse", disse.

A fazenda Santa Clara é voltada para a pecuária, enquanto a Santo Antonio, além de pastagens, possui lavouras de cana. Os donos das terras não foram localizados. Desde a semana passada, o MST invadiu outras três áreas no interior paulista - a fazenda Timboré, em Andradina; a Capim, em Iaras, e a fazenda de uma escola técnica estadual em Itapetininga.