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Quadrilha de assaltantes aterrorizava cidades do interior do Estado para roubar os seus bancos

Com ramificações em vários lugares do País, uma quadrilha especializada no roubo de agências bancárias foi presa em Mato Grosso. O grupo de dez pessoas era chefiado, segundo a polícia, por Sílvio César de Araújo, de 37 anos, conhecido como “Cabelo de Bruxa”.

A polícia batizou Araújo e seu grupo de  “Novo Cangaço”. Assim como o bando do cangaceiro Lampião aterrorizou o Nordeste no começo do século 20, os assaltantes sob o comando de Araújo praticamente fechavam as cidades sob ataque. Esses municípios contam com um número muito pequeno de policiais, o que facilita a ação de grupos como esse.

“Nessas horas não tem força capaz de reprimi-los, pois eles pegavam como reféns os funcionários e clientes do banco, que eram usados como escudo humano”, explica o coordenador da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o delegado Luciano Inácio. O arsenal do grupo incluia, por exemplo, cinco fuzis AK-47, um dos preferidos pelos traficantes do Rio de Janeiro.

Como eles agiam

Os criminosos chegavam em duas caminhonetes. Encapuzados, vestidos com roupas camufladas semelhantes a do Exército brasileiro e fortemente armados com metralhadoras e fuzis, os assaltantes entravam nos bancos pela frente, após arrebentar a fachada a tiros. Em seguida, faziam todos de refém e roubavam o cofre. A média de duração dos assaltos era de 40 minutos. Na fuga, os reféns eram levados e, no caminho, liberados.

A estimativa da polícia  é de que o bando tenha roubado, em pelo menos três assaltos, cerca de R$ 2 milhões. Desse montante, foram recuperados apenas R$ 14,4 mil.Com a quadrilha, os policiais também apreenderam uma caminhonete L200 Triton, Renault Sandero, Astra, Mercedes, Saveiro, Gol, Fiesta, motocicleta XT 670, todos comprados com o dinheiro dos assaltos, afirmou o delegado.

Em família

De acordo com o delegado Luciano Inácio, Araújo segue os passos do irmão José Maria de Araújo, detido no presídio federal de Mossoró (RN), também por roubos a bancos. Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão.

O pai deles, Divino Marino de Araújo, 68 anos, é apontado como um dos maiores estelionatários de Mato Grosso e, segundo a investigação, era o braço direito do filho.

O delegado Luciano Inácio irá pedir a prisão preventiva dos 10 acusados, que estão presos temporariamente. Eles serão indiciados pelos crimes de roubo, formação de quadrilha, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio.

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