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A procuradora da República Adriana Scordamaglia informou hoje que há suspeitas sobre pelo menos dez prefeitos no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desarticulado na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal (PF). Por enquanto, segundo Adriana, há provas sobre a participação de apenas um - Alberto Mourão (PSDB), prefeito de Praia Grande (SP).

"Com relação a essa prefeitura, a PF diz ter provas cabais de irregularidades na concessão de um financiamento do BNDES no valor de R$ 124 milhões", disse ela.

Devido à destruição de provas, o Ministério Público Federal (MPF) pediu ao juiz substituto da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Marcio Ferro Catapani, na última sexta-feira, a prisão preventiva dos 13 réus acusados de pertencer à organização criminosa. O juiz acolheu parte da solicitação, mas negou o pedido de prisão do advogado Ricardo Tosto, conselheiro afastado do BNDES.

Quatro dos acusados estão sob custódia da PF em São Paulo: o empresário Marcos Vieira Mantovani, o lobista João Pedro de Moura - ex-conselheiro do BNDES e amigo do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), o gerente financeiro do prostíbulo WE Celso Murad e José Carlos Guerreiro, de uma empreiteira que emitia notas fiscais frias. Somente um dos sócios da WE, Manuel Fernandes Bastos Filho, permanece foragido.

Sem citar nomes, a procuradora disse haver a suspeita de que outros políticos e funcionários do BNDES também estejam envolvidos com a quadrilha, que comandava um esquema de lavagem de dinheiro obtido a partir de empréstimos concedidos pela instituição. "Muitas pessoas ficaram fora da denúncia e não foram identificadas durante as investigações", afirmou.

Questionada mais especificamente sobre a participação de outros funcionários do BNDES, a procuradora respondeu: "Sim, existe a possibilidade. São pessoas citadas nas interceptações, nos e-mails trocados por pessoas ainda não identificadas e que trocaram e-mails com os envolvidos. São pessoas que não sabemos nem o que são, mas são pessoas do BNDES". A pedido da procuradora, o juiz Marcio Ferro Catapani enviou uma cópia do inquérito ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para eventuais medidas com relação ao prefeito de Praia Grande.

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