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OAB entra com notícia-crime no Ministério Público e pede investigação sobre caso. Veracidade do perfil ainda não foi comprovada

As seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco, Ceará e Piauí pediram nesta segunda-feira (12/12) ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio Grande do Sul que investigue a internauta identificada como Sophia Fernandes. Em seu perfil no Twitter, a suposta estudante gaúcha chamou o Nordeste de “4º mundo” e a população da região de “lixo” e “macacada”, entre outros insultos.

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A OAB apresentou uma notícia-crime denunciando o perfil @SophiaOfDreams na rede social por racismo. Sem explicar o porquê, na última quinta-feira Sophia Fernandes iniciou um ataque contra o Nordeste, e em especial contra a população do Estado do Piauí, a quem chamou de "macacada", "babuínos de Marte” e “lixo”.

Perfil no Twitter de internauta identificada como Sophia Fernandes foi hackeado
Reprodução
Perfil no Twitter de internauta identificada como Sophia Fernandes foi hackeado
Em uma das postagens, ela pede para que seja processada e classifica o Nordeste como um “estado de 4º mundo”. Entretanto, o ataque não se restringe aos nordestinos. Os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rondônia também foram vítimas das ofensas.

Sophia recebeu respostas de centenas de internautas, mas também o apoio de vários dos seus 38 mil seguidores. O debate se estendeu até o dia seguinte, e ela chegou a desafiar a Justiça cobrando “liberdade de expressão”. Contudo, hackers invadiram a conta e tiraram o perfil do ar.

A OAB de Pernambuco informou que ingressou no MPF do Rio Grande do Sul com uma notícia-crime por racismo. As seccionais no Ceará e Piauí fizeram o mesmo em conjunto, além de terem encaminhado um ofício à Polícia Federal para o autor dos ataques seja identificado, já que se suspeita que o perfil usado seja falso. Segundo a assessora jurídica da OAB-CE, Patrícia Sena, se isso for comprovado, o internauta será acusado também de falsidade ideológica. Nesse caso, a dona da foto do perfil pode ser também uma das vítimas.

A repercussão das postagens faz lembrar o caso da estudante Mayara Petruso . Ela responde a uma ação penal pública na Justiça Federal de São Paulo por ter escrito frases contra nordestinos, também no Twitter, após o anúncio da vitória nas eleições de 2010 da presidenta da República Dilma Rousseff . Dilma contou com uma votação maciça da população dos Estados nordestinos.

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