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Local é ocupado por PMs grevistas e suas famílias desde terça-feira (1), início da paralisação da categoria; mortes chegam a 93 na capital e região

Desde as 5h30, cerca de 600 soldados do Exército, além da Força Nacional e Polícia Federal, militares da Tropa de Choque e do grupo de operações especiais ocupam os entornos da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, nesta segunda-feira. O local é utilizado pelos grevistas e suas famílias desde terça (1) quando a PM do Estado decretou paralisação.

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Além de encerrar a greve, o Exército também esperar cumprir os 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana contra os líderes do movimento, que ainda estão no pátio do local. Todos os agentes cercam a Assembleia e possuem forte armamento - metralhadoras, fuzis, pistolas e bombas de efeito moral. A tropa afastou a imprensa do local e fechou as ruas de acesso ao Centro Administrativo da Bahia (CAB).

Manifestantes que apoiam os PMs em greve entram em confronto com as tropas federais
AE
Manifestantes que apoiam os PMs em greve entram em confronto com as tropas federais

O clima é de tensão no local. Mais cedo, alguns manifestantes, que apoiam a greve e ocupação da Assembleia, entraram em confronto com os soldados do Exército. Balas de borracha foram utilizadas para conter o protesto.

A operação federal buscando o fim da greve teve as primeiras movimentações registradas ontem à noite. Por volta das 19h, o abastecimento de energia elétrica no local foi cortado. Blindados Urutu do Exército, que chegaram ontem à cidade, e helicópteros foram vistos sobrevoando o local.

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A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) registrou 93 homicídios desde o início da greve no Estado. O número de assassinatos contabilizados durante a greve da PM é mais da metade dos 172 homicídios registrados em todo mês de fevereiro de 2011.

O pedido para a desocupação do prédio da Assembleia foi feito no domingo (5) à tarde pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, ao general G.Dias. Nilo disse que "os trabalhos legislativos precisam voltar à normalidade e que a Assembleia não pode ser usada como abrigo para foragidos da Justiça". O deputado falou ainda que o pedido partiu dele mesmo, e não do governador.

Proposta de reajuste

Ontem à noite, por volta das 21h30, os grevistas decidiram não aceitar a proposta de reajuste e manter a paralisação. "Chamem seus colegas, esta é uma noite fundamental para nossa luta", disse o líder da greve, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), em discurso para os cerca de 300 PMs.

Veja as imagens da ação das tropas federais em Salvador:

De acordo com ele, o comando da PM do Estado teria feito uma proposta pelo fim do movimento e da ocupação. "Falei com o coronel Alfredo Castro (comandante-geral da PM) e ele propôs anistia total e irrestrita a todos os companheiros grevistas, a incorporação de duas gratificações aos salários e a revogação de todos mandados de prisão, menos o meu", disse, aos PMs que estão no local.

Em seguida, o líder continuou o discurso perguntando aos manifestantes se aceitavam a proposta. Eles negaram. Segundo o governo, porém, não foi feita nenhuma proposta aos amotinados. "A única proposta do governo é: voltem a trabalhar", rebateu o secretário de Comunicação, Robinson Almeida. "Os mandados de prisão serão cumpridos, mais cedo ou mais tarde. Isso já saiu da esfera do Estado, é uma determinação do governo federal.

*com AE

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