Fragmentos do cometa Halley cruzam o céu hoje; saiba como ver

Chuva de meteoros Orionídeas poderá ser observada a olho nu de todo Brasil nesta noite e durante a madrugada; melhor período é depois do pôr da Lua

Chuva de meteoros Orionídeas atinge pico de atividade nesta quarta (21)
Foto: Divulgação/Nasa/Observatório Nacional
Chuva de meteoros Orionídeas atinge pico de atividade nesta quarta (21)

Fragmentos do cometa Halley deixados em passagens anteriores pelo Sistema Solar poderão ser observados cruzando o céu brasileiro na noite desta quarta-feira (21) e madrugada de quinta (22). A atividade atingiu pico máximo na última madrugada, mas ainda pode exibir 20 ou mais meteoros por hora no céu.

A chuva é chamada Orionídeas e, conforme o Observatório Nacional, será visível como riscos de luz rápidos, aparentemente saindo da constelação Órion, para quem  observar o céu escuro na segunda metade da madrugada.
A quantidade de meteoros visíveis depende de condições ideais do tempo, segundo a Organização Internacional de Meteoros (IMO). A chuva pode ser vista em todo Brasil a olho nu, com destroços que passam a 66 quilômetros por segundo e deixam raios de luz no céu noturno.

O melhor horário para observação depende da localização do observador. Em geral, o melhor momento é depois de a Lua se pôr e antes do nascer do Sol. Esse período engloba das 01h30 às 04h30 em todo Brasil, mas o início e o final variam conforme a região.

A observação costuma ser melhor no Norte e Nordeste, pois o período sem luz da Lua é maior e os meteoros cruzam um ponto mais alto no céu.


Como observar?

O primeiro passo é deixar telas de lado e se acostumar com a luminosidade baixa do céu noturno, para que os olhos tenham boa visibilidade mesmo assim. Depois, basta encontrar a constelação de Órion, conhecida pelas Três Marias.

Os meteoros devem riscar a noite na altura desse ponto, mas a partir de qualquer lugar do céu. Nenhum equipamento será necessário.

Outras medidas que vão ajudar na observação são se afastar de pontos com muita iluminação urbana, conhecida como poluição luminosa, e se posicionar voltado à direção nordeste. O tempo precisa estar bom, com pouca ou nenhuma nebulosidade.

Para observar a olho nu, a recomendação é ficar longe da cidade, longe da luz artificial e também evitar telas para que o teu olho consiga se acostumar com o céu
Lucas Justo Teixeira, Astrofotógrafo


O que é uma chuva de meteoros?

Meteoros ocorrem quando fragmentos de cometas ou asteroides à deriva pelo espaço e de altíssima velocidade se chocam com a atmosfera da Terra. A resistência do ar causa uma espécie de “queima”, que ilumina o céu e deixa um rastro brilhante para trás.

Quanto muitos destroços chegam simultaneamente, ocorre a chuva de meteoros. Isso porque a Terra passa por regiões do espaço com volume alto de destroços, as zonas de detritos.

Eles costumam ser pequenos, incluindo poeira e pedregulhos, desaparecendo rapidamente na atmosfera.

Segundo o Observatório Nacional, do ponto de vista científico, a chuva de meteoros é importante para compreender períodos em que a Terra passa por essas regiões com maior atividade de fragmentos de cometas e asteroides.

Isso porque missões espaciais e controle de satélites podem projetar formas de proteger os equipamentos. Ainda, é possível estudar propriedades de meteoros para descobrir do que são feitos os cometas.

Passagem do cometa Halley

As Orionídeas são resultado da passagem da Terra através de detritos deixados pelo  cometa Halley, que visita a terra somente a cada 75 ou 76 anos. A última passagem foi em 1986 e a próxima está prevista para 21 de julho de 2061.

O período de atividades desta chuva se estende até o dia 03 de novembro, apesar do pico ser nesta quarta (21). Essa é a segunda criada pelo Halley este ano. A primeira, chamada Eta Aquariids, ocorreu em maio.

Como fazer para fotografar os meteoros?

Segundo Lucas Justo Teixeira, astrofotógrafo que conversou com o iG, a fotografia da chuva de meteoros pode ser divida em duas partes, já que as recomendações variam conforme o uso de celular ou câmera profissional.

Para quem usa câmera, a recomendação é optar pela maior abertura de lente possível da lente, preferencialmente f/1.4 ou f/2.8, com ISO a partir de 1600 e tempo de exposição entre 10 e 15 segundos .

Com isso, se deve bater uma sequência de várias fotos para aumentar as chances de capturar os meteoros no céu noturno.

São várias e várias fotos, várias mesmo, porque em alguma tu vai acabar registrando um meteoro ou outro   
  Lucas Justo Teixeira, Astrofotógrafo


Quem não possui câmera, pode tentar com celular. Segundo o astrofotógrafo, a orientação é utilizar o modo noturno no máximo, um tripé para garantir estabilidade e também bater várias fotos.

Acaba sendo mais benéfico tu fazer várias fotos de exposições médias ali, né, de 15 segundos e depois ver quais tu fotografou o meteoro ou quais não pegou nada, do que fazer uma maior       
Lucas Justo Teixeira, Astrofotógrafo


O fotógrafo aponta que é possível juntar as várias fotos depois com softwares de edição para melhorar a resolução e o resultado do que foi capturado.